Já comecei a receber mails e mensagens no telemóvel de Boas Festas. Ainda faltam quinze dias para o Natal... mas afinal não era esta quadra que devia de ser todos os dias? Isso fez-me lembrar um poema que escrevi intitulado "Hoje é Natal". Não era nada Natal, nesse dia, pois foi escrito no mês de Maio do já longínquo ano de 1996. O poema é mauzinho, mas eu gosto muito dele... Como aquela máxima que diz que os filhos, mesmo feios, parecem sempre bonitos aos pais. Este é um desses casos. Não lhe mudo uma vírgula e continuo a concordar com tudo o que escrevi na altura...
HOJE É NATAL
Hoje é Natal,
mas não tem importância;
porque é normal
que os putos morram sem ter infância.
Hoje é Natal
e as crianças estão,
de armas na mão,
sem saber o que é, afinal,
o mal ou o bem;
trazem guerra no coração;
fazem um hábito da solidão,
do desespero, um irmão,
da violência, uma mãe.
Hoje há amor
porque é Natal.
Não há fome nem dor,
credo, etnia ou cor
que a morte abale.
As mulheres paradas
à espera do autocarro
não são assassinadas,
partidas, quebradas,
como se fossem de barro.
Os pobres não pedem,
com barrigas de vento,
uns trocos p’ra pão.
As potências não cedem
ao desarmamento
com armas na mão.
Não!!!
Todos comem à farta,
durante o jantar,
bacalhau com batata
sem radiação nuclear.
Tudo é paz, harmonia
e convívio familiar,
menos p’rá maioria
que, de barriga vazia,
ficou sem cear.
“Que penas sermos tão poucos
e não podermos fazer nada”,
dizem uns senhores roucos
de gravata apertada,
com fatinhos “muita lôcos”
e a pança aconchegada.
Entre eles e o curral
vai uma enorme distância.
O que é pena é ser normal,
porque hoje é Natal
e não tem importância.
Edgarbury K. Zeytonov (a.k.a. Filipe Lopes)
Maio de 1996
SOBRE CINEMA, SOBRE MÚSICA, SOBRE LIVROS, SOBRE POESIA E SOBRE BD. SOBRE POOL, BILHAR E SNOOKER. SOBRE SABORES E SOBRE CHEIROS. SOBRE A VIDA. SOBRE MIM E SOBRE OS OUTROS. SOBRE O QUE EU GOSTO E O QUE DETESTO. SOBRE O ASSIM-ASSIM. SOBRE O QUE ME LEMBRO. SOBRE O QUE ME APETECE. SOBRE TUDO E SOBRE COISA NENHUMA, NUMA VIVÊNCIA MECÂNICA DENTRO DE UM MUNDO AO CONTRÁRIO.
Mostrando postagens com marcador Poemas mecânicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas mecânicos. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Poemas Mecânicos - uma balada de Coimbra
Este foi um poema que fiz para cantar no meu grupo de Canção de Coimbra. Nunca o cantei em espectáculos, nem tenho grande vontade, verdade seja dita...
POR TI, SILÊNCIO
O meu coração sangrou
POR TI, SILÊNCIO
O meu coração sangrou
{ } BIS
Por cada rasgo sentido
No meu negro e amado manto – BIS
Mas minha voz não parou
De cantar em tom sofrido
As mágoas do meu pranto – BIS
Só que um dia ficou presa
{ } BIS
Minha alma a ti de amores
E aos teus olhos divinais – BIS
Desde então tenho a certeza
Que se algum dia te fores
Não cantarei nunca mais – BIS
No meu negro e amado manto – BIS
Mas minha voz não parou
De cantar em tom sofrido
As mágoas do meu pranto – BIS
Só que um dia ficou presa
{ } BIS
Minha alma a ti de amores
E aos teus olhos divinais – BIS
Desde então tenho a certeza
Que se algum dia te fores
Não cantarei nunca mais – BIS
Assinar:
Postagens (Atom)