quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Clint Eastwood integral na Cinemateca - Parte IV (Março)


Em Março chega ao fim o Ciclo na Cinemateca dedicado a Clint Eastwood. Ontem já passou "Gran Torino", o mais recente filme do realizador americano, numa sala completamente esgotada. Estes serão os derradeiros filmes a ser projectados nesta restrospectiva:

CLINT EASTWOOD LE FRANC-TIREUR
de Michael Henry Wilson
França, 2007 – 80 min
Seg. [2] 19h30 Qua. [4] 19h30

FLAGS OF OUR FATHERS / As Bandeiras dos Nossos Pais
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2006 - 132 min
Ter. [3] 21h30 Qui. [5] 19h30

LETTERS FROM IWO JIMA / As Cartas de Iwo Jima
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2006 - 141 min
Qua. [4] 21h30 Qui. [5] 22h00

Fantasporto


O Fantasporto foi o primeiro Festival de Cinema a que fui na minha vida. Já lá vão muitos anos. Foi, igualmente, o primeiro Festival de que fiz a cobertura enquanto jornalista de cinema, em 1999, há precisamente uma década (ao que parece, estou mesmo a ficar velhote). Desde essa altura, construí no Porto e à volta do Fantas, um grupo de amigos que revejo, pelo menos, todos os anos pela mesma altura. Por isso é que, para mim, muito mais do que um Festival de Cinema, o Fantas é um reencontro "de família" no melhor sentido que o termo tem. Existem outros certames em que isso acontece, mas o Fantas foi o primeiro e dizem que não há amor como esse... Este ano esteve muito tremida a minha ida até à Invicta. Mas já está tudo resolvido e sábado lá estarei a almoçar ao lado de velhos (e, eventualmente, novos) amigos.
Até já!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ciclo Mikio Naruse na Cinemateca


Começa este mês de Fevereiro um ciclo dedicado ao grande realizador japonês Mikio Naruse, quase desconhecido entre nós. Trata-se de um conjunto de filmes extremamente importante e não resisto em colocar aqui, ipsis verbis, o texto enviado pelo Departamento de Relações Públicas da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema:

Finalmente parece que é desta! A Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema vai concretizar um projecto que há vários anos - por razões de vária ordem - tem vindo a ser adiado: O Ciclo MIKIO NARUSE. Entre Fevereiro e Abril iremos exibir uma parte muito substancial da obra de MIKIO NARUSE (1905-1969). MIKIO NARUSE foi o último dos grandes cineastas japoneses a ser revelado na Europa. A primeira "mostra" ocorreu no Festival de Locarno em 1983, quase quinze anos após a sua morte. Em Portugal, apenas um dos seus filmes - ONNA-GA KAIDAN-O AGARUTOKI (QUANDO UMA MULHER SOBE AS ESCADAS, 1960) - teve estreia comercial (e em 1995). Para além disso, só umas raríssimas e esporádicas passagens na televisão. NARUSE realizou, entre 1930 e 1967, 89 filmes. Desses subsistem hoje cerca de 54, e até agora, mesmo na Cinemateca, só foram exibidos seis.Para este Ciclo conseguimos, com o apoio imprescindível da Japan Foundation, localizar 40, que compõem esta retrospectiva. É, pois, uma oportunidade única para conhecer e apreciar a obra deste cineasta maior.O Ciclo, ao contrário do que é habitual, não seguirá a ordem cronológica. Assim, neste mês, poderemos ver cinco filmes, três dos quais (duas longas e uma curta metragem) são ainda do período do mudo, IWASHIGUMO, de 1958, e para a sessão de abertura, precisamente o único filme estreado entre nós, ONNA-GA KAIDAN-O AGARUTOKI (QUANDO UMA MULHER SOBE AS ESCADAS).

ONNA GA KAIDAN O AGARU TOKI
Quando uma Mulher Sobe as Escadas
de MIKIO NARUSE com Hideko Takamine, Masayiki Mori, Reiko Dan
Japão, 1960 - 110 min / legendado em português
MIKIO NARUSE (1905-69) costuma ser apresentado como "o quarto grande do cinema japonês", ao lado dos indisputados três grandes que são Mizoguchi, Ozu e Kurosawa. QUANDO UMA MULHER SOBE AS ESCADAS, o seu único filme que teve distribuição comercial em Portugal, prova que esta fórmula não é abusiva. Trata-se da história de uma gueixa de meia-idade, que dirige um bar e que deve escolher entre um casamento e a aquisição deste bar. Um magnífico retrato de mulher, na grande tradição do cinema japonês.
Sex. [13] 21:30 Ter. [17] 19:30

KOSHIBEN GAMBARE
Vai Trabalhar, Preguiçoso
de MIKIO NARUSE
com Shizue Akiyama, Seiichi Kato, Tokio Seki
Japão, 1931 - 38 min / mudo, intertítulos em japonês traduzidos em inglês
KIMI TO WAKARETE
Longe de Ti
de MIKIO NARUSE
com Mitsuko Yoshikawa, Akio Isono
Japão, 1933 - 72 min / mudo, intertítulos em japonês traduzidos em inglês
O mais antigo dos filmes de MIKIO NARUSE que sobreviveu, KOSHIBEN GAMBERE, é uma bizarra mistura do género melodramático com o equivalente japonês (tão em voga à época) da comédia slapstick. O filme retrata as desventuras de um vendedor que não consegue arranjar o devido sustento para a sua família. Com gags e situações cómicas na linha da melhor tradição chapliniana, o final é, em oposição, fortemente melodramático. KIMI TO WAKARETE de que NARUSE também escreveu o argumento, é considerado, entre o que se conhece da obra do realizador como a sua primeira obra-prima e um dos momentos mais altos (a par de algumas obras de Mizoguchi e Ozu) do cinema mudo japonês. Para criar o filho, uma viúva torna-se geisha. Com o passar dos anos vai perdendo clientes para mulheres mais novas e paralelamente o filho, envergonhado com a profissão da mãe, revolta-se contra ela. Em KIMI TO WAKARETE está já bem patente o génio de NARUSE para combinar o realismo lírico com os sentimentos femininos.
Seg. [16] 19:30 Qui. [19] 22:00

YOGOTO NO YUME
Sonhos Quotidianos
de MIKIO NARUSE
com Sumiko Kurishima, Tatsuo Saito, Teruko Kojima, Mitsuo Yoshikawa
Japão, 1933 - 64 min / mudo, intertítulos em japonês traduzidos em inglês
Nesta segunda obra-prima de NARUSE, de 1933, o realizador demonstra todas as suas fabulosas capacidades de director de actores ao dirigir uma das mais famosas actrizes japonesas da época, Sumiko Kurishima. YOGOTO NO YUME, sendo também um melodrama centrado nas desventuras de uma viúva que tem um filho para sustentar, é um veículo ideal para NARUSE explorar todas as potencialidades de movimento, enquadramento e montagem que o cinema mudo proporciona.
Qua. [18] 22:00 Segunda exibição em Março

IWASHIGUMO
Nuvens de Verão
de MIKIO NARUSE
com Chikage Awajima, Isao Kimura, Ganjiro Nakamura
Japão, 1958 - 128 min / legendado em francês
O pós-guerra e os seus traumas foram uma constante na obra de NARUSE a partir do início da década de cinquenta. IWASHIGUMO, um dos seus filmes mais célebres, é uma sucessão de pequenas histórias vividas por uma família de camponeses no pós-guerra. Ligando-as uma às outras e assim dando unidade ao filme, está a personagem de uma jovem viúva de guerra, dividida entre manter a sua independência e a necessidade de se voltar a casar. Dando unidade e todas elas centram-se na vida de uma viúva de guerra, e a sua vida no campo.
Qui. [26] 19:00 Sex. [27] 19:30

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Estranho Caso de Benjamin Button


Passaram uns quinze anos, mais ou menos, desde que ouvi falar pela primeira vez na adaptação para cinema do conto de F. Scott Fitzgerald em que o protagonista nasce velho e rejuvenesce com o passar do tempo. Li, por essa altura, numa daquelas secções de curiosidades das revistas cor-de-rosa com meia dúzia de linhas, que são mais de entretenimento do que outra coisa, que a realização dessa história estaria a cargo de… Steven Spielberg e lembro-me de ter pensado que a história estaria bem entregue. Spielberg tinha acabado de ganhar o Óscar com “A Lista de Schindler” e especulava-se muito sobre o que iria ele fazer a seguir. Falava-se, até, de Tom Cruise para protagonista. Com o passar do tempo percebi que o futuro do realizador não iria passar por aqui, até porque se envolveu em três realizações de seguida: a sequela de “Jurassic Park”, “O Mundo Perdido” (1997), de “Amistad” (1997) e de “O Resgate do Soldado Ryan” (1998), bem como com a preparação, em conjunto com Stanley Kubrick, de “A.I. – Inteligência Artificial” (2001). Às vezes ouvia falar de novos nomes para encabeçar o projecto, como Spike Jonze e Ron Howard (que terá, inclusivamente, convidado John Travolta para o papel principal) mas foi David Fincher, o menino-prodígio de “Se7en” e “Clube de Combate” quem acabou por levar o barco a bom porto. E em boa hora o fez, porque esta história nas mãos de Howard seria, com alguma certeza, além de bem diferente, muito próxima do descalabro… digo eu, claro, que não morro de amores pelo realizador de “Uma Mente Brilhante” (2001) e do actual “Frost/Nixon” que estreou há uns dias (e que eu ainda não vi). De Fincher, já eu sabia que era um cineasta de corpo inteiro, que sabe filmar, que tem uma capacidade invulgar para criar atmosferas e que consegue, com mestria, conduzir o espectador para onde ele quer. É um dos realizadores maiores da sua geração, como se comprova com um simples olhar pela sua filmografia: duas obras-primas (os já mencionados “Se7en” e “Clube de Combate”) e quatro filmes muito acima da média (“Alien 3 – A Desforra”, “O Jogo”, “Sala de Pânico” e “Zodiac”) compõem uma galeria de obras com uma qualidade constante que está ao alcance de poucos. Mesmo assim, não tinha a certeza absoluta se Fincher seria capaz de filmar esta história no tom certo, sem cair no facilitismo da lágrima fácil ou descarrilar para a histrionia. Além desta questão, já difícil, levantava-se ainda uma outra: até que ponto seria Fincher capaz de dar credibilidade à nada plausível história de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo pela vida fora? Por isso (e porque não perco nenhum filme de David Fincher, devo confessar), fui ver. O cinema tinha pipocas (maldição!), que se foram calando (felizmente!) com o desenrolar da narrativa. Bom sinal! A sala ficou rendida às personagens e aos acontecimentos. Ao relógio do tempo andar para trás, à tristeza das guerras e da perda. À satisfação de um nascer-do-sol redentor. A uma criança-velha de olhos sorridentes que vê o mundo da sua própria perspectiva, que é diferente da de todos os outros. Um ser incomum, em todos os aspectos. Muito próximo de nós, no coração, e que encara a vida como o devíamos todos fazer: com amor e alegria, sabendo que o seu fim é algo natural e impossível de evitar, mesmo que vivamos ao contrário dos outros.
A verdade é que Fincher não se contentou apenas em tornar credível o inconcebível, como o fez na nota certa, sem desafinar nem permitir desafinações à equipa, tal qual um maestro que dirige uma orquestra em perfeita harmonia. Isso vê-se nos actores (portentosas interpretações, sobretudo de Brad Pitt, mas também de Cate Blanchett), na fotografia (sempre com a tonalidade certa) e no argumento (nunca se desorienta) que, somados a uma realização irrepreensível, elevam “O Estranho de Benjamin Button” ao estatuto de obra-prima, a terceira de Fincher em sete filmes e a sua consagração como um dos actuais herdeiros do cinema clássico. David Fincher era já um realizador de corpo inteiro. Agora, é-o de corpo e alma! Porque alma é coisa que não falta aqui… para ver, rever e sentir vezes sem conta.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Clint Eastwood na Cinemateca - Parte III (Fevereiro)


Mais um mês de Clint Eastwood na Cinemateca. O terceiro. E pela terceira vez deixo-vos a programação:


THE BRIDGES OF MADISON COUNTY / As Pontes de Madison County
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1995 – 135 min
Seg. [2] 21h30 Qua. [4] 22h00

ABSOLUTE POWER / Poder Absoluto
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1997 – 121 min
Ter. [3] 21h30 Qui. [5] 22h00

THUNDERBOLT AND LIGHTFOOT / A Última Golpada
de Michael Cimino
Estados Unidos, 1974 – 114 min
Qua. [4] 19h00

MIDNIGHT IN THE GARDEN OF GOOD AND EVIL / Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1997 – 155 min
Sex. [6] 19h00 Ter. [10] 22h00

TRUE CRIME / Um Crime Real
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1999 – 127 min
Seg. [9] 21h30 Qui. [12] 19h30

ESCAPE FROM ALCATRAZ / Os Fugitivos de Alcatraz
de Don Siegel
Estados Unidos, 1979 – 112 min
Ter. [10] 19h00

SPACE COWBOYS / Space Cowboys
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2000 – 130 min
Qua. [11] 21h30 Ter. [17] 22h00

ANY WHICH WAY YOU CAN / O Regresso do Rebelde
de Buddy Van Horn
Estados Unidos, 1982 – 115 min
Sex. [13] 19h00

BLOOD WORK / Dívida de Sangue
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2002 – 110 min
Seg. [16] 19h00 Qui. [19] 19h30

TIGHTROPE / Um Agente na Corda Bamba
de Richard Tuggle
Estados Unidos, 1984 – 114 min
Ter. [17] 19h00

THE DEAD POOL / Na Lista do Assassino
de Buddy Van Horn
Estados Unidos, 1988 – 91 min
Qua. [18] 19h00

MYSTIC RIVER / Mystic River
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2003 - 137 min
Qua. [18] 21h30 Sex. [20] 22h00

MILLION DOLLAR BABY / Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2004 - 132 min
Qui. [19] 21h30 Qua. [25] 19h30

PINK CADILLAC / Cadillac Cor-de-Rosa
de Buddy Van Horn
Estados Unidos, 1989 – 122 min
Sex. [20] 19h00

IN THE LINE OF FIRE / Na Linha de Fogo
de Wolfgang Petersen
Estados Unidos, 1993 - 123 min
Qui. [26] 21h30

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

E por falar em Cinemateca...


Aproveitando para celebrar Paul Newman, a Cinemateca Portuguesa oferece-nos duas oportunidades raras de ver, em projecção e com poucos dias de diferença, os magníficos The Hustler / A Vida é um Jogo (1961), de Robert Rossen e The Color of Money / A Cor do Dinheiro (1986), de Martin Scorsese. O primeiro passa dia 8 de Janeiro (5ª feira), às 19h. O segundo, dia 12 (2ª feira) às 15h30.