Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ciclo de Glauber Rocha na Cinemateca



(Retirado ipsis verbis da programação da Cinemateca, pelo que o facto de estar escrito respeitando o famigerado acordo ortográfico, ou ter coisas como "o personagem" - que eu nunca emprego no masculino - não são da minha responsabilidade)

GLAUBER ROCHA
EM COLABORAÇÃO COM GUIMARÃES 2012 CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA
E CINEMATECA BRASILEIRA (SÃO PAULO)
Quando Glauber Rocha morreu, aos 42 anos, em 1981, Serge Daney escreveu no Libération: “De todos os grandes perturbadores do cinema moderno, ele era sem dúvida aquele que estava mais longe de nós”. De facto, ao morrer, o cineasta brasileiro estava muito isolado e parecia pertencer ao passado. E, no entanto, Glauber Rocha fora uma das mais fulgurantes figuras dos novos cinemas dos anos sessenta, a personalidade mais conhecida do Cinema Novo brasileiro, que deu que falar junto à crítica internacional. A sua carreira começou verdadeiramente com o segundo filme, DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL que causou sensação no Festival de Cannes em 1964. Três anos depois, TERRA EM TRANSE, bastante diferente, causaria uma imensa polémica no Brasil, que ultrapassou as fronteiras do cinema e marcou o apogeu do prestígio do realizador. Mas O DRAGÃO DA MALDADE E O SANTO GUERREIRO, mais conhecido como ANTONIO DAS MORTES, foi atacado pelos cineastas brasileiros undergound, que o consideraram académico e decorativo. Depois da apresentação deste filme no Festival de Cannes em 1969, onde recebeu o prémio de melhor realização ex aequo, diante de um júri presidido por Luchino Visconti, Glauber Rocha preferiu exilar-se, devido à violenta repressão política que se abatera sobre o Brasil em fins do ano anterior. Ficaria sete anos num exílio que o levou a França, Itália e Cuba. E neste período, o seu cinema mudou radicalmente, tornando-se cada vez mais alegórico: DER LEONE HAVE SEPT CABEZAS, CABEZAS CORTADAS, CLARO. Ao regressar ao Brasil em 1976, é recebido com efusão e realiza uma brilhante curta-metragem, DI CAVALCANTI. Mas em breve torna-se uma figura altamente polémica e contestada, tornando-se objeto de uma certa rejeição. Realiza uma ambiciosa longa-metragem, A IDADE DA TERRA, apresentada no Festival de Veneza, onde foi pessimamente recebida. Decide então permanecer na Europa, primeiro em Paris e depois em Sintra, onde trabalhou num argumento sobre Os Maias. Patrick Bauchau realizou então um documentário sobre ele, significativamente intitulado SINTRA IS A BEAUTIFUL PLACE TO DIE. Em agosto de 1981, Glauber Rocha regressaria ao Rio de Janeiro em estado de coma e morreria no dia seguinte. Há trinta e um anos, Serge Daney concluía o seu artigo necrológico da seguinte maneira: “Ele desnorteou, inventou, chocou, dececionou. Nada cedeu do seu desejo. Com obstinação, nunca deixou de fazer uma pergunta, que temo se tenha tornado obsoleta: o que seria um cinema que não devesse nada aos Estados Unidos? Talvez seja perguntar demais. Mas quem responderá?”. A sua obra veemente continua cercada por um misto de veneração (é praticamente proibido criticá-lo no Brasil) e incompreensão. Este Ciclo talvez contribua
para indicar se Glauber Rocha está mais ou menos “longe de nós” do que em 1981.

TERRA EM TRANSE
de Glauber Rocha
com Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy, Glauce Rocha
Brasil, 1967 – 105 min
Sex. [7] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [10] 22:00 | Luís de Pina
“Filme admirável, negro poema, TERRA EM TRANSE mostra como se fazem e se desfazem, no ‘terceiro mundo europeu’, as ditaduras tropicais”, escreveu à época Marguerite Duras. Longe do sertão e dos cangaceiros, inteiramente situada no Rio de Janeiro, a terceira longa-metragem de Glauber Rocha é sem dúvida o mais “cinematográfico” dos seus filmes. O protagonista é um jornalista que oscila entre um potencial tirano de esquerda e um potencial tirano de direita. Começando pela agonia do protagonista, o filme desenrola-se num longo flashback, numa montagem fragmentada, mas absolutamente coerente. 

BARRAVENTO
de Glauber Rocha
com Antonio Pitanga, Luiza Maranhão, Lucy de Carvalho
Brasil, 1961 – 77 min
Seg. [10] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [11] 19:30 | Luís de Pina
Inicialmente Glauber Rocha deveria ter sido assistente de realização deste filme. Mas, como disse a sua mãe numa entrevista, “arrebatou” o filme ao realizador Luiz Paulino dos Santos ao cabo de alguns dias de rodagem e realizou-o sozinho, fazendo alterações no argumento. De todos os seus filmes, é o único que tem uma narrativa tradicional. A ação passa-se numa comunidade de pescadores negros na Baía, que tem de alugar a um preço muito alto um instrumento de trabalho essencial, as redes de pesca. Nasce um conflito que opõe dois pescadores: um está disposto a um compromisso, encorajado por um sacerdote de ritos afro-brasileiros; o outro, que vivera numa cidade, atiça o conflito.


DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL
de Glauber Rocha
com Othon Bastos, Leonardo Villar, Yoná Magalhães, Maurício
do Valle, Lídio Silva
Brasil, 1964 – 110 min
Ter. [11] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [12] 19:30 | Luís de Pina
O filme que tornou Glauber Rocha internacionalmente célebre aos 26 anos e marcou a irrupção do Cinema Novo brasileiro no panorama internacional, ao lado de VIDAS SECAS e OS FUZIS, de Nelson Pereira dos Santos e Ruy Guerra, respetivamente. Em DEUS E O DIABO… Glauber conjuga mitos e realidades, através da história de um miserável casal de camponeses, entre o messianismo religioso e a revolta armada desordenada. O filme é percorrido por lembranças do cinema soviético e utiliza diversas canções como  comentário à ação. Uma obra operática e trágica.

CÂNCER
de Glauber Rocha
com Odete Lara, Hugo Carvana, Antonio Pitanga, Hélio Oiticica
Brasil, Cuba, 1968-72 – 86 min
Qua. [12] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [13] 22:00 | Luís de Pina
Rodado em 1968 no Rio de Janeiro, este fi lme só foi montado quatro anos mais tarde, em Havana. Foi em grande parte improvisado e uma das suas razões de ser foi a vontade do realizador de praticar o som direto, que nunca utilizara, em vistas da rodagem já anunciada de ANTONIO DAS MORTES. Sem narrativa linear, composto por cenas esparsas e monólogos brilhantes e sarcásticos, CÂNCER é, como TERRA EM TRANSE, um filme urbano e cosmopolita. Assinala uma inegável aproximação de Glauber Rocha ao cinema underground brasileiro, de Julio Bressane e Rogério Sganzerla, dos quais ele em breve se tornaria inimigo mortal.

O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO / ANTONIO DAS MORTES
de Glauber Rocha
com Maurício do Valle, Odete Lara, Lorival Pariz, Antonio Piranga
Brasil, 1969 – 95 min
Sex. [14] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Ter. [25] 22:00 | Luís de Pina 
Mais conhecida como ANTONIO DAS MORTES, esta primeira longa-metragem a cores de Glauber Rocha amplia o universo de DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL, com uma mise-en-scène que tem alguns pontos em comum com o western spaghetti. O filme aproxima certos mitos populares brasileiros e a alegoria política. O protagonista, Antonio das Mortes, assassino por contrato a serviço dos poderosos, já surgira em DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL. Mas desta feita acaba por se voltar contra eles e massacra os representantes da ordem estabelecida. “ANTONIO DAS MORTES é o meu ALEXANDRE NEVSKI, é o ALEXANDRE NEVSKI do sertão, a ópera global inspirada pelas lições de Eisenstein” (Glauber Rocha).

DER LEONE HAVE SEPT CABEZAS
de Glauber Rocha
com Jean-Pierre Léaud, Gabriele Tinti, Rada Rassimov
Itália, França, 1970 – 120 min / legendado eletronicamente em português
Seg. [17] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [19] 22:00 | Luís de Pina
Coprodução ítalo-francesa fi lmada no Congo Brazzaville, a atual República Popular do Congo, DER LEONE HAVE SEPT CABEZAS foi o primeiro dos quatro filmes que Glauber Rocha realizou durante os seus sete anos de exílio. O título poliglota (com um notável erro de inglês) entende sublinhar a vastidão do conflito colonial. A dramaturgia é extremamente rarefeita e didática, com personagens deliberadamente esquemáticos: um casal loiro que representa o imperialismo americano, um guerrilheiro latino-americano, um português, um padre europeu, africanos cúmplices e africanos revolucionários.

CABEZAS CORTADAS
de Glauber Rocha
com Francisco Rabal, Pierre Clémenti, Rosa Maria Penna
Espanha, 1970 – 94 min / legendado eletronicamente em português
Ter. [18] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [20] 19:30 | Luís de Pina
Rodado na Catalunha, CABEZAS CORTADAS “retoma e tritura o material ficcional de TERRA EM TRANSE, porém de modo muito mais violento do que ANTONIO DAS MORTES em relação a DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL”, observou Sylvie Pierre no seu livro sobre Glauber Rocha, acrescentando: “A terra continua em transe, mas agora o apocalipse está a acontecer”. Num país imaginário chamado Eldorado (como filme de 1967), um tirano incarnado por Francisco Rabal, vive o delírio do poder, num fi lme deliberadamente caótico e irracional: “Talvez seja a história de um louco que pensa que é ditador”, declarou o realizador em 1979.


HISTÓRIA DO BRASIL
de Glauber Rocha, Marcos Medeiros
Cuba, Itália, 1972-73 – 166 min
Sex. [21] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [24] 22:00 | Luís de Pina
Ambicioso work in progress correalizado com um ex-líder estudantil brasileiro exilado, HISTÓRIA DO BRASIL tem uma narração em off permanente, em alta velocidade, que retraça e comenta a História do Brasil desde o desembarque de Pedro Álvares Cabral em 1500 até o regime militar instalado em 1964. Em contraponto, as imagens, vindas das fontes mais diversas (filmes de ficção, atualidades cinematográficas), não ilustram de modo direto a catarata de palavras do comentário.

CLARO
de Glauber Rocha
com Juliet Berto, Carmelo Bene, Luis Maria Olmedo Itália, 1975 – 106 min
legendado eletronicamente em português
Seg. [24] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Qua. [26] 22:00 | Luís de Pina
Inteiramente rodado em Roma, o último filme realizado por Glauber Rocha antes do seu regresso ao Brasil é o menos visto entre todos aqueles que fez e suscitou indiferença ao ser apresentado à época. Entre os personagens: o Papa, dois irmãos gémeos, um soldado americano vindo do Vietname, um travesti, incarnado por Carmelo Bene. Sylvie Pierre, amiga e admiradora incondicional do cineasta, comenta: “CLARO não é claro, sobretudo se quisermos perceber o que Glauber Rocha ‘quer dizer’. Creio que o filme não tem chave, tem apenas grandes portas arrombadas e fechadas. Alucinação ou lucidez? Em todo caso, uma nova forma do conflito entre poesia e política que já surgira em TERRA EM TRANSE”.

A IDADE DA TERRA
de Glauber Rocha
com Tarcísio Meira, Jece Valadão, Ana Maria Magalhães, Maurício do Valle
Brasil, 1980 – 134 min
Qua. [26] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [27] 22:00 | Luís de Pina
Último filme de Glauber Rocha, pessimamente recebido no Festival de Veneza, onde foi apresentado numa versão de 160 minutos. Obra sem nenhuma forma de narrativa, absolutamente alegórica e enigmática, que obriga cada espectador a trazer a sua própria chave para nela penetrar. Filmado em diversas regiões do Brasil, escolhidas pelo seu caráter simbólico, o fi lme mostra fi guras como um Anticristo, quatro Cristos (um negro, um índio, um militar e um guerrilheiro), uma rainha das amazonas, um diabo. “Trabalho com a surpresa, o exorcismo das emoções, a catarse do ator. Como se fosse um psicanalista”, declarou o cineasta a propósito deste filme.

PÁTIO
AMAZONAS AMAZONAS
MARANHÃO 66
DI CAVALCANTI
de Glauber Rocha
Brasil, 1959, 1966, 1966, 1976 – 12, 15, 11 e 16 min
duração total da sessão: 54 min
Qui. [27] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [28] 22:00 | Luís de Pina 
Este programa reúne as curtas-metragens realizadas por Glauber Rocha ao longo de dezoito anos (duas outras ficaram incompletas e de JORJAMADO NO CINEMA perderam-se os negativos originais e não existe hoje cópia projetável). PÁTIO é um fi lme surpreendente vindo do seu realizador, uma obra purista e abstrata, situada num terraço suspenso entre o céu e o mar, onde um homem e uma mulher se aproximam e se afastam um do outro. AMAZONAS AMAZONAS, o seu primeiro filme a cor, foi uma encomenda sobre as “belezas” e as “riquezas” da região: mas “descobri que não havia a Amazónia lendária e mágica”. MARANHÃO 66 foi outra encomenda, feita por um político de província chamado José Sarney (que o acaso transformaria em Presidente da República nos anos oitenta), que pediu que Glauber Rocha documentasse a cerimónia da sua posse como governador. O realizador alternou imagens da cerimónia com outras em que se vê miséria da população. DI CAVALCANTI marcou o regresso do realizador ao Brasil, ao termo do seu exílio. Ao fi lmar o velório de um pintor, Glauber Rocha também fez um brilhante epitáfio sobre tudo o que desaparecera no Brasil durante a sua ausência.



sexta-feira, 15 de junho de 2012

O CINEMA DE ANTÓNIO DE MACEDO - Finalmente a merecida homenagem na Cinemateca!

Tal e qual as Relações Públicas da Cinemateca Portuguesa mandaram cá para fora:


O CINEMA DE ANTÓNIO DE MACEDO

Arquiteto de formação, cineasta por vocação, mas também compositor, escritor e ensaísta, docente, António de Macedo é um protagonista singular do cinema português cujo panorama marcou entre os anos sessenta da sua estreia no contexto do Cinema Novo, época em que a sua obra é especialmente prolífera, e os anos noventa em que infletiu de percurso, passando a dedicar-se mais ativamente aos estudos e ensino universitários nas áreas das religiões comparadas, das tradições esotéricas, das formas literárias e fílmicas ou da sociologia da cultura, em que se doutorou em 2010.
A sua primeira longa-metragem DOMINGO À TARDE é, em 1965, o terceiro filme proa do Cinema Novo Português, produzido por António da Cunha Telles como OS VERDES ANOS de Paulo Rocha e BELARMINO de Fernando Lopes. Com ela António de Macedo afirmou-se no contexto do novo fôlego da cinematografia portuguesa dessa década, mas como sucedeu com outros nomes da sua geração o seu percurso começara antes, no domínio do formato curto: inicia-se com os experimentais A PRIMEIRA MENSAGEM e ODE TRIUNFAL e profissionalmente com VERÃO COINCIDENTE e NICOTIANA cuja originalidade chamou a atenção para o seu trabalho. Marca de água de toda a sua obra, cruzada por diversas influências e interesses, persistentemente apostada na experimentação das possibilidades visuais e sonoras no cinema (tanto nas curtas como nas longas-metragens, nas obras de ficção, documentais, institucionais e em filmes publicitários), essa originalidade revestiu-se, por outro lado, de uma dimensão polémica, em alguns casos feroz, que foi pontuando a receção dos seus filmes a partir de 7 BALAS PARA SELMA, a segunda longa-metragem.
A produtividade dos anos sessenta estendeu-se à década seguinte, que Macedo atravessou desafiando os imperativos da censura, antes de 1974 (depois de em 1970 ser um dos fundadores do Centro Português de Cinema, foi em 1974 que cofundou a cooperativa Cinequanon onde desenvolve a atividade de cineasta nos vinte anos seguintes), e dos cânones estabelecidos, estendendo as linhas mestras do seu cinema às questões sociais e políticas numa vertente documental. A dimensão fantástica, o imaginário popular e os elementos esotéricos dominam os filmes posteriores na convicção de que “a realidade é mais subtil do que aquilo que a gente vê. As incursões esotéricas que faço são tentativas de penetrar no universo real. Aliás pode dizer-se que o meu fantástico é mais real do que o real”.
A retrospetiva da obra de António de Macedo que a Cinemateca agora propõe é uma travessia de várias décadas de história do cinema português e a revisão de um olhar  reivindicadamente experimental, frequentemente polémico. Numa proposta de António de Macedo, começamos por O PRINCÍPIO DA SABEDORIA, sendo a retrospetiva genericamente pensada a partir da sua cronologia. Incluindo longas e curtas-metragens, obras conhecidas e títulos mais raros, os filmes serão em grande parte apresentados em novas cópias tiradas no laboratório da Cinemateca. Será publicado um catálogo

O PRINCÍPIO DA SABEDORIA
de António de Macedo
com Guida Maria, Sinde Filipe, Carmen Dolores, Nicolau Breyner, João d'Ávila

Portugal, 1975 – 155 min


com a presença de António de Macedo


O PRINCÍPIO DA SABEDORIA, também conhecido como O RICO, O CAMELO E O REINO, é uma incursão de António de Macedo nos domínios do sobrenatural, reivindicando a bizarria das peripécias num argumento escrito a partir de três novelas de Pere Calders, O Princípio da Sabedoria, A Árvore Doméstica e A Cada Um o Seu Ofício: nos jardins da grande casa de aldeia de um arquiteto insociável, é descoberta uma mão. Num letreiro colocado no portão da propriedade, o arquiteto anuncia devolvê-la a quem provar pertencer-lhe. É uma produção da Tobis Portuguesa, com direção de produção de Henrique Espírito Santo, fotografia de Elso Roque e música de António Victorino d'Almeida.
Sex. [22] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Seg. [25] 22:00 | Sala Luís de Pina



DOMINGO À TARDE
de António de Macedo
com Isabel de Castro, Ruy de Carvalho, Isabel Ruth

Portugal, 1965 – 93 min
Título marcante do Cinema Novo Português, DOMINGO À TARDE é cronologicamente o terceiro, emparelhando com OS VERDES ANOS (Paulo Rocha, 1963) e BELARMINO (Fernando Lopes, 1964), também produzido por António da Cunha Telles, e, como aqueles, um título perfeitamente inserido nas tendências do novo cinema dos anos sessenta. "Gosto de experimentar, cinema de montagem intenso, sincopado, gosto de inserir teoria dentro da ação fílmica" (Luís de Pina) são algumas das características desta obra amarga e sóbria, situada no meio hospitalar e que inclui o segmento de um filme fantástico que indica a dimensão experimental da obra futura de Macedo. Com argumento baseado no romance de Fernando Namora, foi o seu primeiro filme de longa-metragem. Foi selecionado para a secção competitiva do Festival de Veneza de 1965, onde foi exibida uma versão não censurada.
Seg. [25] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Qui. [28] 19:30 | Sala Luís de Pina



7 BALAS PARA SELMA
de António de Macedo
com Florbela Queirós, Sinde Filipe, Tomás de Macedo, Osvaldo Medeiros, Lia Gama

Portugal, 1967 – 108 min
Segunda longa-metragem de António de Macedo, 7 BALAS PARA SELMA tem inspiração policial e foi na época da sua estreia "um caso" no cinema português, alvo de críticas severas e a acusação de cedência a expectativas comerciais. É um filme que se distingue pela singularidade da sua proposta e a abertura a dimensões cuja variedade o realizador viria a trabalhar ao longo da sua obra. Macedo assina a realização, argumento, diálogos, planificação e montagem. A fotografia é de Acácio de Almeida, a música do Quinteto Académico e a letra das canções, interpretadas por Florbela Queirós, de Alexandre O'Neill. A produção é da Imperial Filmes.
Ter. [26] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Sex. [29] 22:00 | Sala Luís de Pina



NOJO AOS CÃES
de António de Macedo
com Avelino Lopes, Clara Silva, Eduarda Pimenta, Helena Balsa, Hilda Silvério

Portugal, 1970 – 93 min
De registo experimental e temática contestatária, filmada em película positiva e adotando premissas do cinema direto, a terceira longa-metragem de António de Macedo foi produzida pelo próprio e a expensas suas, o apoio da Valentim de Carvalho e da Ulyssea Filme. A ação de NOJO AOS CÃES dura o tempo da projeção do filme seguindo uma manifestação de estudantes que termina com a intervenção da polícia política. Proibido pela censura, foi exibido nas edições de 1970 dos festivais de Bérgamo e de Benalmadena, onde foi distinguido com o prémio da Federação Internacional dos Cineclubes.
segunda passagem em julho
Qua.
[27] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro



CINE-RISO – ALMANAQUE DOS PARODIANTES DE LISBOA
Portugal, 1969 – 10 min
A PRIMEIRA MENSAGEM
com Cristóvão Martinho, Maria Tereza
Portugal, 1961 – 7 min / sem som
A REVELAÇÃO
com Costa Guerra
Portugal, 1969 – 19 minutos
A BICHA DE 7 CABEÇAS
de António de Macedo
com Guida Maria, Ruy de Carvalho, Ana Maria Gonçalves, Carlos Daniel, Manuel Coelho

Portugal, 1978 – 32 min
de António de Macedo


duração total da sessão: 68 minutos

Esta primeira sessão de curtas-metragens de António de Macedo inclui um dos seus títulos inaugurais, A PRIMEIRA MENSAGEM, filmada em 16mm preto e branco e sem som sob a influência da vanguarda francesa, de Eisenstein e Pudovkin. De 1969, CINE-RISO é fruto de colaboração com os Parodiantes de Lisboa, e A REVELAÇÃO é uma produção Francisco de Castro com o patrocínio da Sociedade Nacional de Sabões. Posterior em cerca de uma década, A BICHA DE 7 CABEÇAS (produção Cinequanon) é a variação de um conto tradicional português. À exceção de A PRIMEIRA MENSAGEM, os títulos da sessão são primeiras exibições na Cinemateca.
segunda passagem em julho
Qui.
[28] 21:30 | Sala Dr. Félix Ribeiro



A PROMESSA
de António de Macedo
com Guida Maria, Sinde Filipe, João Mota, Luís Santos

Portugal, 1972 – 94 min
A partir da obra teatral homónima de Bernardo Santareno e assentando num trabalho de investigação sociológica levado a cabo nas aldeias piscatórias em que decorre a ação, com produção do Centro Português de Cinema, A PROMESSA é a história de um jovem casal de uma aldeia de pescadores profundamente religiosos que não consuma a sua união em cumprimento de um voto de castidade. De novo alvo de polémica na receção em Portugal, (foi a primeira obra portuguesa a mostrar dois corpos nus), A PROMESSA teve uma boa carreira e foi o primeiro filme português oficialmente selecionado para o Festival de Cannes.
segunda passagem em julho
Sex.
[29] 19:00 | Sala Dr. Félix Ribeiro

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Caetano Veloso (Paloma)



Uma música para o Dia dos Namorados... dia de que eu não sou fervoroso adepto, mas enfim... da música sou :D

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Estória do Gato e da Lua (versão portuguesa)

Pedro Serrazina, em meados dos anos 1990, assinou uma das maiores obras-primas da animação portuguesa e mundial. Vale a pena (re) ver!!

Estória do Gato e da Lua - Pedro Serrazina 1995

Versão em inglês...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Uma Pequena Viagem pelo Cinema Fantástico Português

I'll See You in My Dreams

Escrevi este texto para a Revista Umbigo. Saiu já não sei há quantos meses, mas incompleto, porque não havia espaço que chegasse e tive que cortar caracteres. Ficou quase em metade do texto que aqui publico e com muito menos interesse (digo eu, que se calhar acho que este texto interessa a alguém).

Tudo começou há mais de duas décadas… É de uma nostalgia enternecedora, começarmos, a partir de dada altura da nossa vida, a fazer as contas em décadas em relação a episódios marcantes do passado. É algo que nos faz sentir a existência como algo de efémero e rápido, mas que aprendemos a ver com a tranquilidade plácida adquirida através da multiplicidade de experiências por que fomos passando. Bem, mas dizia eu, antes que me perca definitivamente no raciocínio, que “tudo começou há mais de duas décadas…” em relação ao meu gosto pela ficção cuja lógica, toda ela, ou em parte, foge à explicação da realidade tal como a conhecemos, que é como quem diz, pelo género fantástico. Foram os livros de ficção científica (do Ray Bradbury, do Isaac Asimov, do Robert Heinlein e de uma série de outros) e de terror (onde pontificavam os nomes intemporais de Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft), em simultâneo com o primeiro contacto com a Banda-Desenhada americana da Marvel e da D.C. e com alguma da franco-belga (a japonesa apareceu depois no meu percurso de procura de conhecimento), as causas do início dessa paixão. Se há alturas em que parece que todas as experiências nos surgem em catadupa, a tenra adolescência é, por excelência, uma das mais importantes. Foi por esta época que comecei, igualmente, a gostar de filmes. E foi por mais este particular que a minha vida mudou para sempre!
Lembro-me de discutir com amigos, em tertúlias de ocasião, que o Cinema Fantástico era, por vezes, assim como a literatura desta natureza, considerado um parente pobre, muitas vezes ostracizado, esquecido ou sem o reconhecimento devido, se comparado com os outros géneros. Mas se isso é assim em relação ao Cinema Fantástico no sentido lato, o que dizer se restringirmos o nosso universo ao Cinema Português? Existirá um género fantástico na história das nossas imagens em movimento? Foi essa pergunta, à laia de mote, bem como o convite subsequente, que provocaram o nascimento deste texto. Gostaria, no entanto e antes de prosseguir, de dizer-vos que não é, de todo, minha intenção fazer com que este artigo seja uma referência obrigatória em tempos vindouros; não é uma monografia, nem é, sequer, uma análise exaustiva sobre o tema. Chamemos-lhe antes uma viagem… Uma singela viagem pelo fantástico no cinema português.
Em 1926, no mesmo ano de “Fausto”, de F.W. Murnau, e um ano antes de “Metropolis”, de Fritz Lang, já Robert Wiene tinha dado vida ao Dr. Caligari (1920) e (o já referido) Murnau, a “Nosferatu” (1922), sem contar com todo o trabalho ainda anterior de Méliès, surgiu aquele que foi, provavelmente, o primeiro filme fantástico português: “O Fauno das Montanhas”, com argumento, fotografia e realização de Manuel Luís Vieira. O filme decorre na Madeira e centra-se na figura da filha de um naturalista inglês em expedição para conhecimento das espécies de aves existentes na ilha. A jovem tem uma imaginação fértil ao ponto de acreditar que um túnel se estende no interior de uma montanha até à entrada do Inferno e que existe um fauno a tentar assassinar o seu pai. Que eu saiba, não há registos de ter sobrevivido até aos dias de hoje uma cópia completa deste primeiro filme português, da época do mudo, com um teor fantástico. O que é pena, diga-se…
Três anos depois, em 1929, ano de “Frau im Mond/ A Mulher na Lua”, de Fritz Lang e de “Un Chien Andalou”, de Luis Buñuel, surge em Portugal a curta-metragem “A Dança dos Paroxismos”, de Jorge Brum do Canto, que adapta uma lenda nórdica e que junta um cavaleiro em busca do Santo Graal, elfos, paixões e uma maldição mortal, do qual a Cinemateca fez recentemente um excelente restauro.
Seria, no entanto, necessário esperar quase 20 anos até surgir na nossa filmografia novo registo do género… ou registos, melhor dizendo, uma vez que surgem dois títulos de enfiada no mesmo ano de 1946 (o ano em que Frank Capra realizou o sublime “It’s a Wonderful Life”/“Do Céu Caiu Uma Estrela”). São eles “O Louco”, de Victor Manuel e “Três Dias Sem Deus”, de Bárbara Virgínia. O primeiro aborda uma temática bastante popular no universo fantástico, que é a do médico que tenta, com a ajuda da ciência, restituir a vida aos mortos, neste caso, apenas enquanto o corpo se encontra em bom estado de conservação; o segundo trata da história de uma nova professora numa aldeia da serra, da qual o médico e o padre se ausentam por três dias (os tais três dias sem Deus, do título), dando azo a que aconteçam coisas insólitas e misteriosas relacionadas com um homem que o povo crê ter um pacto com o Diabo.
Até aparecer mais um título digno de registo, volveram-se mais oito anos. Falo de “O Cerro dos Enforcados” (1954), de Fernando Garcia. A narrativa decorre no século XV e centra-se em D. Afonso, nobre velho e ciumento, casado com uma jovem e linda mulher que desperta a cobiça dos outros homens da terra, entre os quais D. Rui, um outro aristocrata que será esfaqueado pelo marido despeitado. No entanto, o cadáver do nobre assassinado desaparece misteriosamente. Este filme marca a estreia, ainda que num pequeno papel, do actor Armando Cortez no Cinema.
Dois anos depois surge “Vidas Sem Rumo” (1956), de Manuel Guimarães, uma interessante viagem ao mundo da pobreza e da fantasia de quem pouco mais tem que o poder de sonhar e o choro de uma misteriosa criança que vai mudar as suas vidas. Neste ano estreava, além-fronteiras, “Invasion of the Body Snatchers” (“A Terra Em Perigo”), de Don Siegel.
“O Elixir do Diabo/Forbidden Fruit” (1963) é uma co-produção luso-britânica realizada por Thor Brooks e centrada na figura de um diabo de segunda classe que apenas subirá de categoria se conseguir corromper a alma de um pacato cidadão. Ao ver que não está a ter êxito, dá um elixir à esposa do homem, que a tornará irresistível ao primeiro homem que entrar por uma determinada porta. 1963 é o ano de “Os Pássaros”, de Alfred Hitchcock.
António de Macedo é, por direito próprio, o português com a fama (e o proveito, diga-se!) de mais ter acarinhado, como realizador, o género fantástico no nosso país. Por sua causa podemos acrescentar mais cinco filmes à nossa lista, cujas histórias vão de uma mão humana enterrada num jardim – em “O Rico, O Camelo e O Reino ou O Princípio da Sabedoria” (1975) – até um casarão antigo onde acontecem coisas estranhas – “Chá Forte com Limão” (1993) –, passando por um mundo mágico que existe por detrás de uma entrada secreta num castelo medieval – “Os Abismos da Meia-Noite ou as Fontes Mágicas de Gerénia” (1983) –, pela tentativa de impedir uma guerra nuclear, com viagens no tempo à mistura – “Os Emissários de Khalôm” (1987) – ou pelas histórias medievais com maldições, bruxas e fantasmas – “A Maldição de Marialva / La Maldición de Marialva” (1990), esta uma co-produção luso-espanhola para a TVE e para a RTP.
“Veredas” (1977), “Silvestre” (1981) e “Le Bassin de J.W.” (1997), são as incursões de João César Monteiro por territórios fantásticos, pelas lendas e pelas personagens da mitologia popular, por peregrinos e cavaleiros, por Deus, pelo Diabo e por… John Wayne. Sempre com o olhar sarcástico que caracterizou toda a sua obra.
“A Princesinha das Rosas” (1979), de Noémia Delgado, traz-nos a história de uma jovem que foi fruto do amor de um pescador e de uma sereia; “Do Outro Lado do Espelho «Atlântida»” (1985), de Daniel Del-Negro é uma viagem circular pela memória e pela imaginação; “Iratan e Iracema – Os Meninos Mais Malcriados do Mundo…” (1987), de Paulo-Guilherme fala-nos de dois irmãos adolescentes que manipulam a realidade quando esta os aborrece (o que acontece muitas vezes); “Transparências em Prata” (1990), de João Brehm é como que uma demanda pelo limiar da vida e da morte, “O Fio do Horizonte” (1993), de Fernando Lopes, aborda a vida de um homem de meia-idade que trabalha numa morgue e vê um dia chegar corpo recentemente baleado que parece ser o seu, quando era jovem.
Lisboa 94 – Capital Europeia da Cultura encomendou e Edgar Pêra realizou “Manual de Evasão – LX 94”, uma obra que joga com o tempo, a filosofia e mundos paralelos. Estranho quanto baste, bem ao jeito do cineasta português. Uma das raras incursões do decano realizador Manoel de Oliveira neste território do fantástico foi feita com “O Convento” (1995), no qual junta John Malkovich e Catherine Deneuve na procura de provas que sustentem a tese de que Shakespeare tinha ascendência espanhola, o que acaba por os levar a um velho convento e encontrar a personificação do Diabo. “Mortinho Por Chegar a Casa” (1996), uma co-produção luso-holandesa realizada por George Sluizer e Carlos da Silva, oferece-nos um Diogo Infante transformado em alma penada que comunica com a irmã através dos sonhos dela. Margarida Gil realiza, em 1999, “O Anjo da Guarda”, que é a história de uma mulher à procura de uma carta que o pai lhe escreveu antes de morrer, tendo por protector o tal anjo da guarda que dá o título ao filme. No reino do sobrenatural entrou igualmente Manuel Mozos, no mesmo ano, com “…Quando Troveja”, no qual o protagonista vai ser salvo da autodestruição, após ter rompido um relacionamento amoroso, por duas criaturas encantadas do bosque. Um cenário pós-apocalíptico no qual a humanidade caminha para o abismo e as mulheres estão proibidas de ter filhos, é a descrição de “Aparelho Voador a Baixa Altitude” (2001), de Solveig Nordlund, uma das raras incursões do cinema português pelos meandros da ficção científica. “I’ll See You in My Dreams” (2003), de Miguel Angél Vivas e produzida por Filipe Melo, é (além de "A Dança dos paroxismos") a única curta-metragem a que vou fazer referência, já que é o primeiro filme de zombies português, centrado numa pequena localidade em que as pessoas estão inexplicavelmente rodeadas por mortos-vivos. “Manô” (2005), de George Felner, tem a interessante premissa de colocar uma personagem a preto e branco dos filmes cómicos mudos na vida “real” dos nossos dias, o que acontece após a destruição, pelo fogo, de um antigo cinema. “Coisa Ruim” (2006), de Tiago Guedes e Frederico Serra representa o novo fôlego do cinema fantástico em Portugal, nomeadamente na área do suspense/terror. O ambiente é bem conseguido e o filme, embora um pouco lento, funciona.
Pela quantidade de títulos existente em mais de 110 anos de Cinema Português, não podemos dizer que a produção de filmes de teor fantástico seja particularmente prolífica no nosso país, no entanto a lista de obras a que fiz referência e que, repito, não tem pretensões a ser uma lista completíssima, também não é tão pequena quanto se poderia supor.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Mikio Naruse na Cinemateca II

Ukigumo (1955)


Continua este mês de Março o Ciclo dedicado a Mikio Naruse, na Cinemateca.
Os filmes são os seguintes (as sinopses são as enviadas pelas RP da Cinemateca):

OTOME-GOKORO SANNIN KYOUDAI
Três Irmãs de Coração Puro
de Mikio Naruse
com Chikako Hosokawa, Masako Tsutsumi, Ryuko Umezono
Japão, 1935 - 74 min / legendado em inglês
Palavra a Mikio Naruse: “Este foi o meu primeiro filme sonoro. O engenheiro de som, Koiichi Sugi, e eu reunimo-nos para estudar a forma de dar realismo ao filme. Apesar de não serem muito inovadoras, usei algumas técnicas novas que nunca tinha utilizado, como por exemplo a voz off.”
Seg. [02] 22:00 e Seg. [09] 19:30

OKAASAN
A Mãe
de Mikio Naruse
com Kinuyo Tanaka, Massao Mishima, Kyoko Kagawa
Japão, 1952 - 100 min / legendado em inglês
Um dos filmes mais famosos e conhecidos no Ocidente de Mikio Naruse. O mesmo olhar pessimista sobre uma vida onde os sonhos vão morrendo pouco a pouco até ficar apenas a rotina dos gestos e das situações. Uma das grandes interpretações de Kinuyo Tanaka.
Qui. [05] 19:00 e Ter. [10] 22:00

TSUMA YO BARA BARA NO YO NI
Que Sejas Como Uma Rosa, Oh, Minha Mulher

de Mikio Naruse
com Sachiko Chiba, Sadao Maruyama, Yuriko Hanabusa
Japão, 1935 - 75 min / legendado em inglês
Este filme de 1935 é aquele onde Naruse afirma definitivamente a sua narrativa. Como a generalidade da sua obra, trata-se de um melodrama em cores sombrias e percorrido pelo pessimismo. Um jovem procura, em vão, fazer o pai voltar para a mãe que abandonara.
Sex. [06] 19:30 e Qua. [18] 22:00

FUFU
Um Casal

de Mikio Naruse
com Ken Ushara, Yoko Sugi, Rentaro Mikuni
Japão, 1953 - 87 min / legendado em inglês
Um casal vive em casa dos pais dele. Quando o irmão mais novo anuncia o seu casamento percebem que terão que se mudar. Com a mudança os problemas económicos do casal agravam-se e ao mesmo tempo começam as supeitas e o ciúme.
Qui. [12] 22:00 e Seg. [30] 19:30

UKIGUMO
Nuvens Flutuantes

de Mikio Naruse
com Hideko Takamine, Masayudi Mori, Mariko Okada
Japão, 1955 - 120 min / legendado em francês
Um dos filmes mais conhecidos e mais sombrios de Naruse. Uma história no feminino, que se desenrola durante vários anos, com os encontros, desencontros e reencontros entre uma mulher e o seu amante, narrada ao mesmo tempo com sobriedade e grande intensidade. Um clássico do cinema japonês.
Ter. [17] 19:00Seg. [23] 19:30

GINZA GEISHO
Os Cosméticos de Ginza
de Mikio Naruse
com Kinuyo Tanaka, Ranko Hanai, Yuji Hori
Japão, 1951 - 87 min / legendado em inglês
Palavra a Mikio Naruse: “É um filme do estilo shitamachi que se passa em Ginza. A personagem principal da história é uma empregada de bar. No entanto, aqui não existem as típicas empregadas de mentalidade rudimentar. Em vez delas temos seres capazes de compaixão mútua que sabem diferenciar o bem do mal. Apesar do género de trabalho que fazem, levam uma vida normal. Quis contar uma história sobre estas mulheres sem cair no sentimentalismo. Foi minha intenção mostrar o lado positivo da natureza humana. Também quis mostrar como, na vida nocturna marginal e básica de Ginza, existem a solidão e a humanidade. O meu objectivo foi mostrar uma modesta existência marcada pelo pitoresco de Ginza”.
Ter. [24] 19:00 (2ª exibição em Abril)

INAZUMA
Relâmpago

de Mikio Naruse
com Hideko Takamine, Mitsuko Miura, Chieko Murata
Japão, 1952 - 87 min / legendado em inglês
Outro filme centrado sobre uma figura feminina. Kiyoko, 23 anos, cobradora de autocarro, interpretada por Hideo Takamine, vive no seio de uma família de inadaptados nos arredores de Tóquio. Quando Kyoko assume que quer algo mais da vida do que um casamento negociado pela família, os conflitos começam.
Sex. [27] 19:00 (2ª exibição em Abril)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Clint Eastwood integral na Cinemateca - Parte IV (Março)


Em Março chega ao fim o Ciclo na Cinemateca dedicado a Clint Eastwood. Ontem já passou "Gran Torino", o mais recente filme do realizador americano, numa sala completamente esgotada. Estes serão os derradeiros filmes a ser projectados nesta restrospectiva:

CLINT EASTWOOD LE FRANC-TIREUR
de Michael Henry Wilson
França, 2007 – 80 min
Seg. [2] 19h30 Qua. [4] 19h30

FLAGS OF OUR FATHERS / As Bandeiras dos Nossos Pais
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2006 - 132 min
Ter. [3] 21h30 Qui. [5] 19h30

LETTERS FROM IWO JIMA / As Cartas de Iwo Jima
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2006 - 141 min
Qua. [4] 21h30 Qui. [5] 22h00

Fantasporto


O Fantasporto foi o primeiro Festival de Cinema a que fui na minha vida. Já lá vão muitos anos. Foi, igualmente, o primeiro Festival de que fiz a cobertura enquanto jornalista de cinema, em 1999, há precisamente uma década (ao que parece, estou mesmo a ficar velhote). Desde essa altura, construí no Porto e à volta do Fantas, um grupo de amigos que revejo, pelo menos, todos os anos pela mesma altura. Por isso é que, para mim, muito mais do que um Festival de Cinema, o Fantas é um reencontro "de família" no melhor sentido que o termo tem. Existem outros certames em que isso acontece, mas o Fantas foi o primeiro e dizem que não há amor como esse... Este ano esteve muito tremida a minha ida até à Invicta. Mas já está tudo resolvido e sábado lá estarei a almoçar ao lado de velhos (e, eventualmente, novos) amigos.
Até já!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ciclo Mikio Naruse na Cinemateca


Começa este mês de Fevereiro um ciclo dedicado ao grande realizador japonês Mikio Naruse, quase desconhecido entre nós. Trata-se de um conjunto de filmes extremamente importante e não resisto em colocar aqui, ipsis verbis, o texto enviado pelo Departamento de Relações Públicas da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema:

Finalmente parece que é desta! A Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema vai concretizar um projecto que há vários anos - por razões de vária ordem - tem vindo a ser adiado: O Ciclo MIKIO NARUSE. Entre Fevereiro e Abril iremos exibir uma parte muito substancial da obra de MIKIO NARUSE (1905-1969). MIKIO NARUSE foi o último dos grandes cineastas japoneses a ser revelado na Europa. A primeira "mostra" ocorreu no Festival de Locarno em 1983, quase quinze anos após a sua morte. Em Portugal, apenas um dos seus filmes - ONNA-GA KAIDAN-O AGARUTOKI (QUANDO UMA MULHER SOBE AS ESCADAS, 1960) - teve estreia comercial (e em 1995). Para além disso, só umas raríssimas e esporádicas passagens na televisão. NARUSE realizou, entre 1930 e 1967, 89 filmes. Desses subsistem hoje cerca de 54, e até agora, mesmo na Cinemateca, só foram exibidos seis.Para este Ciclo conseguimos, com o apoio imprescindível da Japan Foundation, localizar 40, que compõem esta retrospectiva. É, pois, uma oportunidade única para conhecer e apreciar a obra deste cineasta maior.O Ciclo, ao contrário do que é habitual, não seguirá a ordem cronológica. Assim, neste mês, poderemos ver cinco filmes, três dos quais (duas longas e uma curta metragem) são ainda do período do mudo, IWASHIGUMO, de 1958, e para a sessão de abertura, precisamente o único filme estreado entre nós, ONNA-GA KAIDAN-O AGARUTOKI (QUANDO UMA MULHER SOBE AS ESCADAS).

ONNA GA KAIDAN O AGARU TOKI
Quando uma Mulher Sobe as Escadas
de MIKIO NARUSE com Hideko Takamine, Masayiki Mori, Reiko Dan
Japão, 1960 - 110 min / legendado em português
MIKIO NARUSE (1905-69) costuma ser apresentado como "o quarto grande do cinema japonês", ao lado dos indisputados três grandes que são Mizoguchi, Ozu e Kurosawa. QUANDO UMA MULHER SOBE AS ESCADAS, o seu único filme que teve distribuição comercial em Portugal, prova que esta fórmula não é abusiva. Trata-se da história de uma gueixa de meia-idade, que dirige um bar e que deve escolher entre um casamento e a aquisição deste bar. Um magnífico retrato de mulher, na grande tradição do cinema japonês.
Sex. [13] 21:30 Ter. [17] 19:30

KOSHIBEN GAMBARE
Vai Trabalhar, Preguiçoso
de MIKIO NARUSE
com Shizue Akiyama, Seiichi Kato, Tokio Seki
Japão, 1931 - 38 min / mudo, intertítulos em japonês traduzidos em inglês
KIMI TO WAKARETE
Longe de Ti
de MIKIO NARUSE
com Mitsuko Yoshikawa, Akio Isono
Japão, 1933 - 72 min / mudo, intertítulos em japonês traduzidos em inglês
O mais antigo dos filmes de MIKIO NARUSE que sobreviveu, KOSHIBEN GAMBERE, é uma bizarra mistura do género melodramático com o equivalente japonês (tão em voga à época) da comédia slapstick. O filme retrata as desventuras de um vendedor que não consegue arranjar o devido sustento para a sua família. Com gags e situações cómicas na linha da melhor tradição chapliniana, o final é, em oposição, fortemente melodramático. KIMI TO WAKARETE de que NARUSE também escreveu o argumento, é considerado, entre o que se conhece da obra do realizador como a sua primeira obra-prima e um dos momentos mais altos (a par de algumas obras de Mizoguchi e Ozu) do cinema mudo japonês. Para criar o filho, uma viúva torna-se geisha. Com o passar dos anos vai perdendo clientes para mulheres mais novas e paralelamente o filho, envergonhado com a profissão da mãe, revolta-se contra ela. Em KIMI TO WAKARETE está já bem patente o génio de NARUSE para combinar o realismo lírico com os sentimentos femininos.
Seg. [16] 19:30 Qui. [19] 22:00

YOGOTO NO YUME
Sonhos Quotidianos
de MIKIO NARUSE
com Sumiko Kurishima, Tatsuo Saito, Teruko Kojima, Mitsuo Yoshikawa
Japão, 1933 - 64 min / mudo, intertítulos em japonês traduzidos em inglês
Nesta segunda obra-prima de NARUSE, de 1933, o realizador demonstra todas as suas fabulosas capacidades de director de actores ao dirigir uma das mais famosas actrizes japonesas da época, Sumiko Kurishima. YOGOTO NO YUME, sendo também um melodrama centrado nas desventuras de uma viúva que tem um filho para sustentar, é um veículo ideal para NARUSE explorar todas as potencialidades de movimento, enquadramento e montagem que o cinema mudo proporciona.
Qua. [18] 22:00 Segunda exibição em Março

IWASHIGUMO
Nuvens de Verão
de MIKIO NARUSE
com Chikage Awajima, Isao Kimura, Ganjiro Nakamura
Japão, 1958 - 128 min / legendado em francês
O pós-guerra e os seus traumas foram uma constante na obra de NARUSE a partir do início da década de cinquenta. IWASHIGUMO, um dos seus filmes mais célebres, é uma sucessão de pequenas histórias vividas por uma família de camponeses no pós-guerra. Ligando-as uma às outras e assim dando unidade ao filme, está a personagem de uma jovem viúva de guerra, dividida entre manter a sua independência e a necessidade de se voltar a casar. Dando unidade e todas elas centram-se na vida de uma viúva de guerra, e a sua vida no campo.
Qui. [26] 19:00 Sex. [27] 19:30

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Estranho Caso de Benjamin Button


Passaram uns quinze anos, mais ou menos, desde que ouvi falar pela primeira vez na adaptação para cinema do conto de F. Scott Fitzgerald em que o protagonista nasce velho e rejuvenesce com o passar do tempo. Li, por essa altura, numa daquelas secções de curiosidades das revistas cor-de-rosa com meia dúzia de linhas, que são mais de entretenimento do que outra coisa, que a realização dessa história estaria a cargo de… Steven Spielberg e lembro-me de ter pensado que a história estaria bem entregue. Spielberg tinha acabado de ganhar o Óscar com “A Lista de Schindler” e especulava-se muito sobre o que iria ele fazer a seguir. Falava-se, até, de Tom Cruise para protagonista. Com o passar do tempo percebi que o futuro do realizador não iria passar por aqui, até porque se envolveu em três realizações de seguida: a sequela de “Jurassic Park”, “O Mundo Perdido” (1997), de “Amistad” (1997) e de “O Resgate do Soldado Ryan” (1998), bem como com a preparação, em conjunto com Stanley Kubrick, de “A.I. – Inteligência Artificial” (2001). Às vezes ouvia falar de novos nomes para encabeçar o projecto, como Spike Jonze e Ron Howard (que terá, inclusivamente, convidado John Travolta para o papel principal) mas foi David Fincher, o menino-prodígio de “Se7en” e “Clube de Combate” quem acabou por levar o barco a bom porto. E em boa hora o fez, porque esta história nas mãos de Howard seria, com alguma certeza, além de bem diferente, muito próxima do descalabro… digo eu, claro, que não morro de amores pelo realizador de “Uma Mente Brilhante” (2001) e do actual “Frost/Nixon” que estreou há uns dias (e que eu ainda não vi). De Fincher, já eu sabia que era um cineasta de corpo inteiro, que sabe filmar, que tem uma capacidade invulgar para criar atmosferas e que consegue, com mestria, conduzir o espectador para onde ele quer. É um dos realizadores maiores da sua geração, como se comprova com um simples olhar pela sua filmografia: duas obras-primas (os já mencionados “Se7en” e “Clube de Combate”) e quatro filmes muito acima da média (“Alien 3 – A Desforra”, “O Jogo”, “Sala de Pânico” e “Zodiac”) compõem uma galeria de obras com uma qualidade constante que está ao alcance de poucos. Mesmo assim, não tinha a certeza absoluta se Fincher seria capaz de filmar esta história no tom certo, sem cair no facilitismo da lágrima fácil ou descarrilar para a histrionia. Além desta questão, já difícil, levantava-se ainda uma outra: até que ponto seria Fincher capaz de dar credibilidade à nada plausível história de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo pela vida fora? Por isso (e porque não perco nenhum filme de David Fincher, devo confessar), fui ver. O cinema tinha pipocas (maldição!), que se foram calando (felizmente!) com o desenrolar da narrativa. Bom sinal! A sala ficou rendida às personagens e aos acontecimentos. Ao relógio do tempo andar para trás, à tristeza das guerras e da perda. À satisfação de um nascer-do-sol redentor. A uma criança-velha de olhos sorridentes que vê o mundo da sua própria perspectiva, que é diferente da de todos os outros. Um ser incomum, em todos os aspectos. Muito próximo de nós, no coração, e que encara a vida como o devíamos todos fazer: com amor e alegria, sabendo que o seu fim é algo natural e impossível de evitar, mesmo que vivamos ao contrário dos outros.
A verdade é que Fincher não se contentou apenas em tornar credível o inconcebível, como o fez na nota certa, sem desafinar nem permitir desafinações à equipa, tal qual um maestro que dirige uma orquestra em perfeita harmonia. Isso vê-se nos actores (portentosas interpretações, sobretudo de Brad Pitt, mas também de Cate Blanchett), na fotografia (sempre com a tonalidade certa) e no argumento (nunca se desorienta) que, somados a uma realização irrepreensível, elevam “O Estranho de Benjamin Button” ao estatuto de obra-prima, a terceira de Fincher em sete filmes e a sua consagração como um dos actuais herdeiros do cinema clássico. David Fincher era já um realizador de corpo inteiro. Agora, é-o de corpo e alma! Porque alma é coisa que não falta aqui… para ver, rever e sentir vezes sem conta.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Clint Eastwood na Cinemateca - Parte III (Fevereiro)


Mais um mês de Clint Eastwood na Cinemateca. O terceiro. E pela terceira vez deixo-vos a programação:


THE BRIDGES OF MADISON COUNTY / As Pontes de Madison County
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1995 – 135 min
Seg. [2] 21h30 Qua. [4] 22h00

ABSOLUTE POWER / Poder Absoluto
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1997 – 121 min
Ter. [3] 21h30 Qui. [5] 22h00

THUNDERBOLT AND LIGHTFOOT / A Última Golpada
de Michael Cimino
Estados Unidos, 1974 – 114 min
Qua. [4] 19h00

MIDNIGHT IN THE GARDEN OF GOOD AND EVIL / Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1997 – 155 min
Sex. [6] 19h00 Ter. [10] 22h00

TRUE CRIME / Um Crime Real
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1999 – 127 min
Seg. [9] 21h30 Qui. [12] 19h30

ESCAPE FROM ALCATRAZ / Os Fugitivos de Alcatraz
de Don Siegel
Estados Unidos, 1979 – 112 min
Ter. [10] 19h00

SPACE COWBOYS / Space Cowboys
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2000 – 130 min
Qua. [11] 21h30 Ter. [17] 22h00

ANY WHICH WAY YOU CAN / O Regresso do Rebelde
de Buddy Van Horn
Estados Unidos, 1982 – 115 min
Sex. [13] 19h00

BLOOD WORK / Dívida de Sangue
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2002 – 110 min
Seg. [16] 19h00 Qui. [19] 19h30

TIGHTROPE / Um Agente na Corda Bamba
de Richard Tuggle
Estados Unidos, 1984 – 114 min
Ter. [17] 19h00

THE DEAD POOL / Na Lista do Assassino
de Buddy Van Horn
Estados Unidos, 1988 – 91 min
Qua. [18] 19h00

MYSTIC RIVER / Mystic River
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2003 - 137 min
Qua. [18] 21h30 Sex. [20] 22h00

MILLION DOLLAR BABY / Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2004 - 132 min
Qui. [19] 21h30 Qua. [25] 19h30

PINK CADILLAC / Cadillac Cor-de-Rosa
de Buddy Van Horn
Estados Unidos, 1989 – 122 min
Sex. [20] 19h00

IN THE LINE OF FIRE / Na Linha de Fogo
de Wolfgang Petersen
Estados Unidos, 1993 - 123 min
Qui. [26] 21h30

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

E por falar em Cinemateca...


Aproveitando para celebrar Paul Newman, a Cinemateca Portuguesa oferece-nos duas oportunidades raras de ver, em projecção e com poucos dias de diferença, os magníficos The Hustler / A Vida é um Jogo (1961), de Robert Rossen e The Color of Money / A Cor do Dinheiro (1986), de Martin Scorsese. O primeiro passa dia 8 de Janeiro (5ª feira), às 19h. O segundo, dia 12 (2ª feira) às 15h30.

Clint Eastwood na Cinemateca - Parte II (Janeiro)


Continua a restrospectiva integral de Clint Eastwood na Cinemateca. Deixo-vos aqui os filmes, as datas e as horas para Janeiro. Podia destacar os westerns-spaghetti do Sergio Leone (a célebre Trilogia dos Dólares, que compreendem os filmes Por um Punhado de Dólares, Por Mais Alguns Dólares e O Bom, o Mau e o Vilão), os já clássicos Unforgiven/Imperdoável e Pale Rider/Justiceiro Solitário, ou os fabulosos Bird - Fim do Sonho e A Perfect World/Um Mundo Perfeito, mas o melhor é não destacar nada, porque é praticamente tudo FUNDAMENTAL!!!!


THE OUTLAW JOSEY WALES / O Rebelde do Kansas
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1976 – 134 min
Seg. [5] 19h30

BREEZY / Ontem ao Fim do Dia
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1973 – 107 min
Seg. [5] 21h30 e Qui. [8] 19h30

LAFAYETTE ESCADRILLE / WITH YOU IN MY ARMS / Contigo nos Meus Braços
de William A. Wellman
Estados Unidos, 1958 – 93 min
Ter. [6] 19h00

BRONCO BILLY / Bronco Billy, o Aventureiro
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1980 – 116 min
Ter. [6] 21h30 e Qui. [8] 22h00

FIREFOX / Firefox
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1982 – 136 min
Qua. [7] 19h00 e Sex. [9] 22h00

THE GAUNTLET / Barreira de Fogo
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1977 – 122 min
Qua. [7] 22h00

HONKYTONK MAN / A Última Canção
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1982 – 123 min
Qui. [8] 21h30 e Qua. [14] 22h00

SUDDEN IMPACT / Impacto Súbito
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1983 – 117 min
Sex. [9] 19h00 e Qui. [15] 19h30

PALE RIDER / Justiceiro Solitário
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1985 – 116 min
Seg. [12] 21h30 e Sex. [16] 22h00

PER UN PUGNO DI DOLARI / Por um Punhado de Dólares
de Sergio Leone
Itália, 1964 – 99 min
Ter. [13] 19h00

HEARTBREAK RIDGE / O Sargento de Ferro
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1986 – 130 min
Qua. [14] 19h00 e Seg. [19] 19h30

BIRD / Bird, Fim do Sonho
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1988 - 160 min
Qui. [15] 21h30 e Ter. [20] 22h00

WHITE HUNTER, BLACK HEART / Caçador Branco, Coração Negro
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1990 - 110 min
Sex. [16] 19h00 e Qua. [21] 19h30

PER QUALCHE DOLLARO IN PIÙ / Por Mais Alguns Dólares
de Sergio Leone
Itália, 1965 – 99 min
Ter. [20] 19h00

THE ROOKIE / Rookie, Um Profissional em Perigo
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1990 - 121 min
Qui. [22] 19h00 e Sex. [23] 22h00

IL BUONO, IL BRUTTO, IL CATTIVO / O Bom, o Mau e o Vilão
de Sergio Leone
Itália, 1966 - 148 min
Sex. [23] 19h00

UNFORGIVEN / Imperdoável
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1992 - 125 min
Seg. [26] 21h30 e Qua. [28] 19h30

TWO MULES FOR SISTER SARA / Os Abutres Têm Fome
de Don Siegel
Estados Unidos, 1970 – 116 min
Ter. [27] 19h00

A PERFECT WORLD / Um Mundo Perfeito
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1993 – 137 min
Qua. [28] 21h30 e Sex. [30] 19h30

MAGNUM FORCE / Harry, o Detective em Acção
de Ted Post
Estados Unidos, 1973 - 124 min
Qui. [29] 19h00

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Ovarvideo 2008

Hoje é a abertura oficial da 13ª edição do Ovarvideo, Festival de Vídeo de Ovar.
"Who Killed the Electric Car?", the Chris Paine, é o documentário que abre o certame deste ano. Igualmente a não perder, além das quase três dezenas de curtas-metragens portuguesas em competição, estão os dois filmes-da-teoria-da-conspiração-propagados-via-net "Zeitgeist" e "Zeitgeist: Addendum", com projecções marcadas para sábado às 14h30 e dominho às 15h30, respectivamente.
Tive o prazer de fazer parte do júri de selecção das obras que estão em competição (a competição é apenas nacional), em conjunto com Ricardo Clara e Pedro Lino. A entrevista que nos fizeram pode ser vista aqui. Divertimo-nos bastante, como se pode perceber! :-)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Clint Eastwood integral na Cinemateca - Parte I (Dezembro)




Clint Eastwood é o derradeiro dos autores clássicos, herdeiro de Ford, Hawks, Walsh, Capra, Ray e de muitos outros. É, também, o último dos duros com cara de mau e coração de manteiga. É a ele, realizador, e a ele, actor, que a Cinemateca dedica grande parte da sua programação a partir de Dezembro. Começa amanhã, com a antestreia do recente "Changeling - A Troca" e termina em Março de 2009. A retrospectiva será integral, portanto vamos lá a esfregar as mãos e a dar pulos de contentamento. Nos próximos meses todos os caminhos vão dar ao Nº 39 da Rua Barata Salgueiro em Lisboa!

Aqui ficam as projecções deste mês de Dezembro:

CHANGELING / A Troca
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2008 - 140 min
Qui. [11] 21h30
com o apoio da Lusomundo

PLAY MISTY FOR ME / Destino nas Trevas
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1971 - 102 min
Seg. [15] 19h00 Ter. [16] 22h00

THE BEGUILED: THE STORYTELLER
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1971 – 12 min
THE BEGUILED / Ritual de Guerra
de Don Siegel
Ter. [16] 19h00 Qua. [17] 19h30

HIGH PLAINS DRIFTER / O Pistoleiro do Diabo
Estados Unidos, 1972 – 87 min
de Clint Eastwood
Sex. [19] 19h00 Seg. [29] 19h30

DIRTY HARRY / A Fúria da Razão
de Don Siegel
Estados Unidos, 1971 - 102 min
Seg. [15] 22h00 Seg. [23] 19h00

THE EIGER SANCTION / A Escalada
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1975 – 125 min
Sex. [19] 21h30 Ter. [30] 19h30

PAINT YOUR WAGON / Os Maridos de Elizabeth
de Joshua Logan
Estados Unidos, 1969 – 164 min
Seg. [29] 19h00

THE OUTLAW JOSEY WALES / O Rebelde do Kansas
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1976 – 134 min
Segunda exibição em Janeiro de 2009
Seg. [29] 21h30

THE GAUNTLET / Barreira de Fogo
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1977 – 122 min
Segunda exibição em Janeiro de 2009
Ter. [30] 21h30

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"The Hustler / A Vida é um Jogo" - Sequência Final

Fabulosa sequência final do filme "The Hustler - A Vida é um Jogo" (1961), de Robert Rossen.

Paul Newman, simplesmente genial!!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Blood Car - Sangue no Depósito

Este meu post é rapinado de um outro que o meu amigo pm colocou no seu A Perseverança do Propósito, já em Maio passado. Mas, como só há pouco tempo é que dei uma vista de olhos nisto, só agora escrevo sobre ele. O que ele disse transcrevo aqui, porque está tudo dito... Bem, tudo não, porque há sempre mais qualquer coisa a acrescentar. Mas, melhor mesmo, é verem... quem gosta de gore, claro!
Escreve ele:
Para ajudar a descontrair e simultaneamente ajudar a salvar o mundo (outra vez), nada como um esguicho de imaginação provindo da série z. blood car conta a história de um professor vegetariano que, num mundo futuro onde a gasolina se tornou ridiculamente cara (ahahah, que inventarão eles a seguir?), se põe a inventar um motor de automóvel à base de trigo, mas que acidentalmente funciona mesmo é com sangue... humano! a nós parece-nos uma solução quase tão perfeita como a tagline do filme: save gas, drive bloodcar. e duma só cajadada também se resolvia o problemazito da explosão demográfica. esta é, de facto, uma película visionária. a ver, portanto. se conseguirmos. PM