terça-feira, 1 de setembro de 2009

Uma Pequena Viagem pelo Cinema Fantástico Português

I'll See You in My Dreams

Escrevi este texto para a Revista Umbigo. Saiu já não sei há quantos meses, mas incompleto, porque não havia espaço que chegasse e tive que cortar caracteres. Ficou quase em metade do texto que aqui publico e com muito menos interesse (digo eu, que se calhar acho que este texto interessa a alguém).

Tudo começou há mais de duas décadas… É de uma nostalgia enternecedora, começarmos, a partir de dada altura da nossa vida, a fazer as contas em décadas em relação a episódios marcantes do passado. É algo que nos faz sentir a existência como algo de efémero e rápido, mas que aprendemos a ver com a tranquilidade plácida adquirida através da multiplicidade de experiências por que fomos passando. Bem, mas dizia eu, antes que me perca definitivamente no raciocínio, que “tudo começou há mais de duas décadas…” em relação ao meu gosto pela ficção cuja lógica, toda ela, ou em parte, foge à explicação da realidade tal como a conhecemos, que é como quem diz, pelo género fantástico. Foram os livros de ficção científica (do Ray Bradbury, do Isaac Asimov, do Robert Heinlein e de uma série de outros) e de terror (onde pontificavam os nomes intemporais de Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft), em simultâneo com o primeiro contacto com a Banda-Desenhada americana da Marvel e da D.C. e com alguma da franco-belga (a japonesa apareceu depois no meu percurso de procura de conhecimento), as causas do início dessa paixão. Se há alturas em que parece que todas as experiências nos surgem em catadupa, a tenra adolescência é, por excelência, uma das mais importantes. Foi por esta época que comecei, igualmente, a gostar de filmes. E foi por mais este particular que a minha vida mudou para sempre!
Lembro-me de discutir com amigos, em tertúlias de ocasião, que o Cinema Fantástico era, por vezes, assim como a literatura desta natureza, considerado um parente pobre, muitas vezes ostracizado, esquecido ou sem o reconhecimento devido, se comparado com os outros géneros. Mas se isso é assim em relação ao Cinema Fantástico no sentido lato, o que dizer se restringirmos o nosso universo ao Cinema Português? Existirá um género fantástico na história das nossas imagens em movimento? Foi essa pergunta, à laia de mote, bem como o convite subsequente, que provocaram o nascimento deste texto. Gostaria, no entanto e antes de prosseguir, de dizer-vos que não é, de todo, minha intenção fazer com que este artigo seja uma referência obrigatória em tempos vindouros; não é uma monografia, nem é, sequer, uma análise exaustiva sobre o tema. Chamemos-lhe antes uma viagem… Uma singela viagem pelo fantástico no cinema português.
Em 1926, no mesmo ano de “Fausto”, de F.W. Murnau, e um ano antes de “Metropolis”, de Fritz Lang, já Robert Wiene tinha dado vida ao Dr. Caligari (1920) e (o já referido) Murnau, a “Nosferatu” (1922), sem contar com todo o trabalho ainda anterior de Méliès, surgiu aquele que foi, provavelmente, o primeiro filme fantástico português: “O Fauno das Montanhas”, com argumento, fotografia e realização de Manuel Luís Vieira. O filme decorre na Madeira e centra-se na figura da filha de um naturalista inglês em expedição para conhecimento das espécies de aves existentes na ilha. A jovem tem uma imaginação fértil ao ponto de acreditar que um túnel se estende no interior de uma montanha até à entrada do Inferno e que existe um fauno a tentar assassinar o seu pai. Que eu saiba, não há registos de ter sobrevivido até aos dias de hoje uma cópia completa deste primeiro filme português, da época do mudo, com um teor fantástico. O que é pena, diga-se…
Três anos depois, em 1929, ano de “Frau im Mond/ A Mulher na Lua”, de Fritz Lang e de “Un Chien Andalou”, de Luis Buñuel, surge em Portugal a curta-metragem “A Dança dos Paroxismos”, de Jorge Brum do Canto, que adapta uma lenda nórdica e que junta um cavaleiro em busca do Santo Graal, elfos, paixões e uma maldição mortal, do qual a Cinemateca fez recentemente um excelente restauro.
Seria, no entanto, necessário esperar quase 20 anos até surgir na nossa filmografia novo registo do género… ou registos, melhor dizendo, uma vez que surgem dois títulos de enfiada no mesmo ano de 1946 (o ano em que Frank Capra realizou o sublime “It’s a Wonderful Life”/“Do Céu Caiu Uma Estrela”). São eles “O Louco”, de Victor Manuel e “Três Dias Sem Deus”, de Bárbara Virgínia. O primeiro aborda uma temática bastante popular no universo fantástico, que é a do médico que tenta, com a ajuda da ciência, restituir a vida aos mortos, neste caso, apenas enquanto o corpo se encontra em bom estado de conservação; o segundo trata da história de uma nova professora numa aldeia da serra, da qual o médico e o padre se ausentam por três dias (os tais três dias sem Deus, do título), dando azo a que aconteçam coisas insólitas e misteriosas relacionadas com um homem que o povo crê ter um pacto com o Diabo.
Até aparecer mais um título digno de registo, volveram-se mais oito anos. Falo de “O Cerro dos Enforcados” (1954), de Fernando Garcia. A narrativa decorre no século XV e centra-se em D. Afonso, nobre velho e ciumento, casado com uma jovem e linda mulher que desperta a cobiça dos outros homens da terra, entre os quais D. Rui, um outro aristocrata que será esfaqueado pelo marido despeitado. No entanto, o cadáver do nobre assassinado desaparece misteriosamente. Este filme marca a estreia, ainda que num pequeno papel, do actor Armando Cortez no Cinema.
Dois anos depois surge “Vidas Sem Rumo” (1956), de Manuel Guimarães, uma interessante viagem ao mundo da pobreza e da fantasia de quem pouco mais tem que o poder de sonhar e o choro de uma misteriosa criança que vai mudar as suas vidas. Neste ano estreava, além-fronteiras, “Invasion of the Body Snatchers” (“A Terra Em Perigo”), de Don Siegel.
“O Elixir do Diabo/Forbidden Fruit” (1963) é uma co-produção luso-britânica realizada por Thor Brooks e centrada na figura de um diabo de segunda classe que apenas subirá de categoria se conseguir corromper a alma de um pacato cidadão. Ao ver que não está a ter êxito, dá um elixir à esposa do homem, que a tornará irresistível ao primeiro homem que entrar por uma determinada porta. 1963 é o ano de “Os Pássaros”, de Alfred Hitchcock.
António de Macedo é, por direito próprio, o português com a fama (e o proveito, diga-se!) de mais ter acarinhado, como realizador, o género fantástico no nosso país. Por sua causa podemos acrescentar mais cinco filmes à nossa lista, cujas histórias vão de uma mão humana enterrada num jardim – em “O Rico, O Camelo e O Reino ou O Princípio da Sabedoria” (1975) – até um casarão antigo onde acontecem coisas estranhas – “Chá Forte com Limão” (1993) –, passando por um mundo mágico que existe por detrás de uma entrada secreta num castelo medieval – “Os Abismos da Meia-Noite ou as Fontes Mágicas de Gerénia” (1983) –, pela tentativa de impedir uma guerra nuclear, com viagens no tempo à mistura – “Os Emissários de Khalôm” (1987) – ou pelas histórias medievais com maldições, bruxas e fantasmas – “A Maldição de Marialva / La Maldición de Marialva” (1990), esta uma co-produção luso-espanhola para a TVE e para a RTP.
“Veredas” (1977), “Silvestre” (1981) e “Le Bassin de J.W.” (1997), são as incursões de João César Monteiro por territórios fantásticos, pelas lendas e pelas personagens da mitologia popular, por peregrinos e cavaleiros, por Deus, pelo Diabo e por… John Wayne. Sempre com o olhar sarcástico que caracterizou toda a sua obra.
“A Princesinha das Rosas” (1979), de Noémia Delgado, traz-nos a história de uma jovem que foi fruto do amor de um pescador e de uma sereia; “Do Outro Lado do Espelho «Atlântida»” (1985), de Daniel Del-Negro é uma viagem circular pela memória e pela imaginação; “Iratan e Iracema – Os Meninos Mais Malcriados do Mundo…” (1987), de Paulo-Guilherme fala-nos de dois irmãos adolescentes que manipulam a realidade quando esta os aborrece (o que acontece muitas vezes); “Transparências em Prata” (1990), de João Brehm é como que uma demanda pelo limiar da vida e da morte, “O Fio do Horizonte” (1993), de Fernando Lopes, aborda a vida de um homem de meia-idade que trabalha numa morgue e vê um dia chegar corpo recentemente baleado que parece ser o seu, quando era jovem.
Lisboa 94 – Capital Europeia da Cultura encomendou e Edgar Pêra realizou “Manual de Evasão – LX 94”, uma obra que joga com o tempo, a filosofia e mundos paralelos. Estranho quanto baste, bem ao jeito do cineasta português. Uma das raras incursões do decano realizador Manoel de Oliveira neste território do fantástico foi feita com “O Convento” (1995), no qual junta John Malcovich e Catherine Deneuve na procura de provas que sustentem a tese de que Shakespeare tinha ascendência espanhola, o que acaba por os levar a um velho convento e encontrar a personificação do Diabo. “Mortinho Por Chegar a Casa” (1996), uma co-produção luso-holandesa realizada por George Sluizer e Carlos da Silva, oferece-nos um Diogo Infante transformado em alma penada que comunica com a irmã através dos sonhos dela. Margarida Gil realiza, em 1999, “O Anjo da Guarda”, que é a história de uma mulher à procura de uma carta que o pai lhe escreveu antes de morrer, tendo por protector o tal anjo da guarda que dá o título ao filme. No reino do sobrenatural entrou igualmente Manuel Mozos, no mesmo ano, com “…Quando Troveja”, no qual o protagonista vai ser salvo da autodestruição, após ter rompido um relacionamento amoroso, por duas criaturas encantadas do bosque. Um cenário pós-apocalíptico no qual a humanidade caminha para o abismo e as mulheres estão proibidas de ter filhos, é a descrição de “Aparelho Voador a Baixa Altitude” (2001), de Solveig Nordlund, uma das raras incursões do cinema português pelos meandros da ficção científica. “I’ll See You in My Dreams” (2003), de Miguel Angél Vivas e produzida por Filipe Melo, é (além de "A Dança dos paroxismos") a única curta-metragem a que vou fazer referência, já que é o primeiro filme de zombies português, centrado numa pequena localidade em que as pessoas estão inexplicavelmente rodeadas por mortos-vivos. “Manô” (2005), de George Felner, tem a interessante premissa de colocar uma personagem a preto e branco dos filmes cómicos mudos na vida “real” dos nossos dias, o que acontece após a destruição, pelo fogo, de um antigo cinema. “Coisa Ruim” (2006), de Tiago Guedes e Frederico Serra representa o novo fôlego do cinema fantástico em Portugal, nomeadamente na área do suspense/terror. O ambiente é bem conseguido e o filme, embora um pouco lento, funciona.
Pela quantidade de títulos existente em mais de 110 anos de Cinema Português, não podemos dizer que a produção de filmes de teor fantástico seja particularmente prolífica no nosso país, no entanto a lista de obras a que fiz referência e que, repito, não tem pretensões a ser uma lista completíssima, também não é tão pequena quanto se poderia supor.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Las Vegas 2009 - A Concretização de um Sonho :-)


Hoje fui fazer o passaporte. Fui fazê-lo porque vou a Las Vegas jogar pool, na BCA 8 Ball Championships!!! E isso, meus amigos, é a concretização de um sonho que até há bem pouco tempo não achava possível de algum dia vir a realizar. Um sonho que começou há 22 (!!!) anos, quando vi no cinema "A Cor do Dinheiro" pela primeira vez. Passava, na altura, pela dura etapa que era o tenro início da minha adolescência, época conturbada por excelência e atreita a utopias e idílios inconcretizáveis. Mal sabia pegar num taco, quanto mais jogar alguma coisa, mas houve ali um fascínio que se apoderou do meu espírito em relação ao pool, que se manteve pelos anos fora, transformando-se em paixão e depois em amor.

É esse o sentimento que tenho pelas "coisas" de que, de facto, gosto. Para além do pool tenho-o pelo cinema, pelas (por algumas) pessoas, pela BD, pela música, (às vezes) pela escrita, pela poesia, pela literatura e pela vida de uma maneira geral. O meu sonho de Las Vegas começou na mesma altura que o meu fascínio pelo pool, através do filme (por que razão tanta coisa na minha vida e nos meus sonhos têm a ver com os filmes?) do Scorsese. Não sabia jogar (ainda hoje não sei), mas houve algo, uma espécie de química, que me permitiu perceber logo que queria jogar naquele sítio, com aquela quantidade de jogadores e ouvir (ou fazer, de preferência) uma tacada de abertura sincronizada com dezenas de outras, num salão com mesas a perder de vista.

E, 22 anos depois de ter surgido esse "sonho irrealizável", vai ser aqui que, entre 7 e 17 de Maio de 2009, vou jogar: no Hotel Riviera, em Las Vegas,

com milhares de jogadores a competirem, quer individualmente, quer por equipas, numa das maiores festas mundiais do pool... na cidade magnífica que, vista do Espaço, é a que mais intensamente brilha na Terra. Assim como os meus olhos, que tão intensamente têm brilhado nos últimos tempos... Obrigado a quem tornou este meu sonho possível! Do fundo do coração!

sábado, 18 de abril de 2009

Lousa - Open de Aniversário II


Este fim-de-semana vou fazer o torneio de Lousa. O sorteio ditou que jogarei, no primeiro jogo, às 10h30, com o Manuel Gama. Para mim, não podia ter sido melhor, uma vez que é um dos melhores jogadores nacionais da actualidade e presença que já se pode considerar assídua nos campeonatos do mundo de profissionais, com prestações excelentes. Só por isso vai valer a pena! Eu gosto de jogar com os melhores... :)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Open Internacional de Lagoa - Algarve (Resultados)

Não me correu nada mal este open. Chegar ao Quadro Final num torneio com mais de 100 jogadores da qualidade dos que estiveram no Algarve, é uma prestação bem positiva, até. E o meu objectivo principal foi cumprido. Foram 3 dias de convívio e excelentes jogos! Valeu a pena!!

E aqui estão os quadros com os meus resultados (e não só)!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Lousa - Open de Aniversário


E a partir de 17 de Abril, irei passar o fim-de-semana na Zona Saloia a jogar no Torneio do 67º aniversário do Grupo Desportivo de Lousa.

Open Internacional de Lagoa - Algarve

A partir de sexta-feira, dia 10 de Abril, vou ao Barlavento Algarvio jogar pool no Open Internacional de Lagoa.
O meu primeiro jogo será às 15h. Com ou sem a ajuda do tempo, acho que vai ser um belo fim-de-semana!



sexta-feira, 27 de março de 2009

inCANTVS ao vivo na Margem Sul


Este é o cartaz do espectáculo que vamos fazer no Alto do Moinho, perto de Corroios, na próxima sexta-feira, dia 3 de Abril, às 21h30. Desta vez serão duas vozes, duas guitarras, flauta transversal e saxofone. Apareçam lá!


quarta-feira, 4 de março de 2009

Mikio Naruse na Cinemateca II

Ukigumo (1955)


Continua este mês de Março o Ciclo dedicado a Mikio Naruse, na Cinemateca.
Os filmes são os seguintes (as sinopses são as enviadas pelas RP da Cinemateca):

OTOME-GOKORO SANNIN KYOUDAI
Três Irmãs de Coração Puro
de Mikio Naruse
com Chikako Hosokawa, Masako Tsutsumi, Ryuko Umezono
Japão, 1935 - 74 min / legendado em inglês
Palavra a Mikio Naruse: “Este foi o meu primeiro filme sonoro. O engenheiro de som, Koiichi Sugi, e eu reunimo-nos para estudar a forma de dar realismo ao filme. Apesar de não serem muito inovadoras, usei algumas técnicas novas que nunca tinha utilizado, como por exemplo a voz off.”
Seg. [02] 22:00 e Seg. [09] 19:30

OKAASAN
A Mãe
de Mikio Naruse
com Kinuyo Tanaka, Massao Mishima, Kyoko Kagawa
Japão, 1952 - 100 min / legendado em inglês
Um dos filmes mais famosos e conhecidos no Ocidente de Mikio Naruse. O mesmo olhar pessimista sobre uma vida onde os sonhos vão morrendo pouco a pouco até ficar apenas a rotina dos gestos e das situações. Uma das grandes interpretações de Kinuyo Tanaka.
Qui. [05] 19:00 e Ter. [10] 22:00

TSUMA YO BARA BARA NO YO NI
Que Sejas Como Uma Rosa, Oh, Minha Mulher

de Mikio Naruse
com Sachiko Chiba, Sadao Maruyama, Yuriko Hanabusa
Japão, 1935 - 75 min / legendado em inglês
Este filme de 1935 é aquele onde Naruse afirma definitivamente a sua narrativa. Como a generalidade da sua obra, trata-se de um melodrama em cores sombrias e percorrido pelo pessimismo. Um jovem procura, em vão, fazer o pai voltar para a mãe que abandonara.
Sex. [06] 19:30 e Qua. [18] 22:00

FUFU
Um Casal

de Mikio Naruse
com Ken Ushara, Yoko Sugi, Rentaro Mikuni
Japão, 1953 - 87 min / legendado em inglês
Um casal vive em casa dos pais dele. Quando o irmão mais novo anuncia o seu casamento percebem que terão que se mudar. Com a mudança os problemas económicos do casal agravam-se e ao mesmo tempo começam as supeitas e o ciúme.
Qui. [12] 22:00 e Seg. [30] 19:30

UKIGUMO
Nuvens Flutuantes

de Mikio Naruse
com Hideko Takamine, Masayudi Mori, Mariko Okada
Japão, 1955 - 120 min / legendado em francês
Um dos filmes mais conhecidos e mais sombrios de Naruse. Uma história no feminino, que se desenrola durante vários anos, com os encontros, desencontros e reencontros entre uma mulher e o seu amante, narrada ao mesmo tempo com sobriedade e grande intensidade. Um clássico do cinema japonês.
Ter. [17] 19:00Seg. [23] 19:30

GINZA GEISHO
Os Cosméticos de Ginza
de Mikio Naruse
com Kinuyo Tanaka, Ranko Hanai, Yuji Hori
Japão, 1951 - 87 min / legendado em inglês
Palavra a Mikio Naruse: “É um filme do estilo shitamachi que se passa em Ginza. A personagem principal da história é uma empregada de bar. No entanto, aqui não existem as típicas empregadas de mentalidade rudimentar. Em vez delas temos seres capazes de compaixão mútua que sabem diferenciar o bem do mal. Apesar do género de trabalho que fazem, levam uma vida normal. Quis contar uma história sobre estas mulheres sem cair no sentimentalismo. Foi minha intenção mostrar o lado positivo da natureza humana. Também quis mostrar como, na vida nocturna marginal e básica de Ginza, existem a solidão e a humanidade. O meu objectivo foi mostrar uma modesta existência marcada pelo pitoresco de Ginza”.
Ter. [24] 19:00 (2ª exibição em Abril)

INAZUMA
Relâmpago

de Mikio Naruse
com Hideko Takamine, Mitsuko Miura, Chieko Murata
Japão, 1952 - 87 min / legendado em inglês
Outro filme centrado sobre uma figura feminina. Kiyoko, 23 anos, cobradora de autocarro, interpretada por Hideo Takamine, vive no seio de uma família de inadaptados nos arredores de Tóquio. Quando Kyoko assume que quer algo mais da vida do que um casamento negociado pela família, os conflitos começam.
Sex. [27] 19:00 (2ª exibição em Abril)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Clint Eastwood integral na Cinemateca - Parte IV (Março)


Em Março chega ao fim o Ciclo na Cinemateca dedicado a Clint Eastwood. Ontem já passou "Gran Torino", o mais recente filme do realizador americano, numa sala completamente esgotada. Estes serão os derradeiros filmes a ser projectados nesta restrospectiva:

CLINT EASTWOOD LE FRANC-TIREUR
de Michael Henry Wilson
França, 2007 – 80 min
Seg. [2] 19h30 Qua. [4] 19h30

FLAGS OF OUR FATHERS / As Bandeiras dos Nossos Pais
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2006 - 132 min
Ter. [3] 21h30 Qui. [5] 19h30

LETTERS FROM IWO JIMA / As Cartas de Iwo Jima
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2006 - 141 min
Qua. [4] 21h30 Qui. [5] 22h00

Fantasporto


O Fantasporto foi o primeiro Festival de Cinema a que fui na minha vida. Já lá vão muitos anos. Foi, igualmente, o primeiro Festival de que fiz a cobertura enquanto jornalista de cinema, em 1999, há precisamente uma década (ao que parece, estou mesmo a ficar velhote). Desde essa altura, construí no Porto e à volta do Fantas, um grupo de amigos que revejo, pelo menos, todos os anos pela mesma altura. Por isso é que, para mim, muito mais do que um Festival de Cinema, o Fantas é um reencontro "de família" no melhor sentido que o termo tem. Existem outros certames em que isso acontece, mas o Fantas foi o primeiro e dizem que não há amor como esse... Este ano esteve muito tremida a minha ida até à Invicta. Mas já está tudo resolvido e sábado lá estarei a almoçar ao lado de velhos (e, eventualmente, novos) amigos.
Até já!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ciclo Mikio Naruse na Cinemateca


Começa este mês de Fevereiro um ciclo dedicado ao grande realizador japonês Mikio Naruse, quase desconhecido entre nós. Trata-se de um conjunto de filmes extremamente importante e não resisto em colocar aqui, ipsis verbis, o texto enviado pelo Departamento de Relações Públicas da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema:

Finalmente parece que é desta! A Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema vai concretizar um projecto que há vários anos - por razões de vária ordem - tem vindo a ser adiado: O Ciclo MIKIO NARUSE. Entre Fevereiro e Abril iremos exibir uma parte muito substancial da obra de MIKIO NARUSE (1905-1969). MIKIO NARUSE foi o último dos grandes cineastas japoneses a ser revelado na Europa. A primeira "mostra" ocorreu no Festival de Locarno em 1983, quase quinze anos após a sua morte. Em Portugal, apenas um dos seus filmes - ONNA-GA KAIDAN-O AGARUTOKI (QUANDO UMA MULHER SOBE AS ESCADAS, 1960) - teve estreia comercial (e em 1995). Para além disso, só umas raríssimas e esporádicas passagens na televisão. NARUSE realizou, entre 1930 e 1967, 89 filmes. Desses subsistem hoje cerca de 54, e até agora, mesmo na Cinemateca, só foram exibidos seis.Para este Ciclo conseguimos, com o apoio imprescindível da Japan Foundation, localizar 40, que compõem esta retrospectiva. É, pois, uma oportunidade única para conhecer e apreciar a obra deste cineasta maior.O Ciclo, ao contrário do que é habitual, não seguirá a ordem cronológica. Assim, neste mês, poderemos ver cinco filmes, três dos quais (duas longas e uma curta metragem) são ainda do período do mudo, IWASHIGUMO, de 1958, e para a sessão de abertura, precisamente o único filme estreado entre nós, ONNA-GA KAIDAN-O AGARUTOKI (QUANDO UMA MULHER SOBE AS ESCADAS).

ONNA GA KAIDAN O AGARU TOKI
Quando uma Mulher Sobe as Escadas
de MIKIO NARUSE com Hideko Takamine, Masayiki Mori, Reiko Dan
Japão, 1960 - 110 min / legendado em português
MIKIO NARUSE (1905-69) costuma ser apresentado como "o quarto grande do cinema japonês", ao lado dos indisputados três grandes que são Mizoguchi, Ozu e Kurosawa. QUANDO UMA MULHER SOBE AS ESCADAS, o seu único filme que teve distribuição comercial em Portugal, prova que esta fórmula não é abusiva. Trata-se da história de uma gueixa de meia-idade, que dirige um bar e que deve escolher entre um casamento e a aquisição deste bar. Um magnífico retrato de mulher, na grande tradição do cinema japonês.
Sex. [13] 21:30 Ter. [17] 19:30

KOSHIBEN GAMBARE
Vai Trabalhar, Preguiçoso
de MIKIO NARUSE
com Shizue Akiyama, Seiichi Kato, Tokio Seki
Japão, 1931 - 38 min / mudo, intertítulos em japonês traduzidos em inglês
KIMI TO WAKARETE
Longe de Ti
de MIKIO NARUSE
com Mitsuko Yoshikawa, Akio Isono
Japão, 1933 - 72 min / mudo, intertítulos em japonês traduzidos em inglês
O mais antigo dos filmes de MIKIO NARUSE que sobreviveu, KOSHIBEN GAMBERE, é uma bizarra mistura do género melodramático com o equivalente japonês (tão em voga à época) da comédia slapstick. O filme retrata as desventuras de um vendedor que não consegue arranjar o devido sustento para a sua família. Com gags e situações cómicas na linha da melhor tradição chapliniana, o final é, em oposição, fortemente melodramático. KIMI TO WAKARETE de que NARUSE também escreveu o argumento, é considerado, entre o que se conhece da obra do realizador como a sua primeira obra-prima e um dos momentos mais altos (a par de algumas obras de Mizoguchi e Ozu) do cinema mudo japonês. Para criar o filho, uma viúva torna-se geisha. Com o passar dos anos vai perdendo clientes para mulheres mais novas e paralelamente o filho, envergonhado com a profissão da mãe, revolta-se contra ela. Em KIMI TO WAKARETE está já bem patente o génio de NARUSE para combinar o realismo lírico com os sentimentos femininos.
Seg. [16] 19:30 Qui. [19] 22:00

YOGOTO NO YUME
Sonhos Quotidianos
de MIKIO NARUSE
com Sumiko Kurishima, Tatsuo Saito, Teruko Kojima, Mitsuo Yoshikawa
Japão, 1933 - 64 min / mudo, intertítulos em japonês traduzidos em inglês
Nesta segunda obra-prima de NARUSE, de 1933, o realizador demonstra todas as suas fabulosas capacidades de director de actores ao dirigir uma das mais famosas actrizes japonesas da época, Sumiko Kurishima. YOGOTO NO YUME, sendo também um melodrama centrado nas desventuras de uma viúva que tem um filho para sustentar, é um veículo ideal para NARUSE explorar todas as potencialidades de movimento, enquadramento e montagem que o cinema mudo proporciona.
Qua. [18] 22:00 Segunda exibição em Março

IWASHIGUMO
Nuvens de Verão
de MIKIO NARUSE
com Chikage Awajima, Isao Kimura, Ganjiro Nakamura
Japão, 1958 - 128 min / legendado em francês
O pós-guerra e os seus traumas foram uma constante na obra de NARUSE a partir do início da década de cinquenta. IWASHIGUMO, um dos seus filmes mais célebres, é uma sucessão de pequenas histórias vividas por uma família de camponeses no pós-guerra. Ligando-as uma às outras e assim dando unidade ao filme, está a personagem de uma jovem viúva de guerra, dividida entre manter a sua independência e a necessidade de se voltar a casar. Dando unidade e todas elas centram-se na vida de uma viúva de guerra, e a sua vida no campo.
Qui. [26] 19:00 Sex. [27] 19:30

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Estranho Caso de Benjamin Button


Passaram uns quinze anos, mais ou menos, desde que ouvi falar pela primeira vez na adaptação para cinema do conto de F. Scott Fitzgerald em que o protagonista nasce velho e rejuvenesce com o passar do tempo. Li, por essa altura, numa daquelas secções de curiosidades das revistas cor-de-rosa com meia dúzia de linhas, que são mais de entretenimento do que outra coisa, que a realização dessa história estaria a cargo de… Steven Spielberg e lembro-me de ter pensado que a história estaria bem entregue. Spielberg tinha acabado de ganhar o Óscar com “A Lista de Schindler” e especulava-se muito sobre o que iria ele fazer a seguir. Falava-se, até, de Tom Cruise para protagonista. Com o passar do tempo percebi que o futuro do realizador não iria passar por aqui, até porque se envolveu em três realizações de seguida: a sequela de “Jurassic Park”, “O Mundo Perdido” (1997), de “Amistad” (1997) e de “O Resgate do Soldado Ryan” (1998), bem como com a preparação, em conjunto com Stanley Kubrick, de “A.I. – Inteligência Artificial” (2001). Às vezes ouvia falar de novos nomes para encabeçar o projecto, como Spike Jonze e Ron Howard (que terá, inclusivamente, convidado John Travolta para o papel principal) mas foi David Fincher, o menino-prodígio de “Se7en” e “Clube de Combate” quem acabou por levar o barco a bom porto. E em boa hora o fez, porque esta história nas mãos de Howard seria, com alguma certeza, além de bem diferente, muito próxima do descalabro… digo eu, claro, que não morro de amores pelo realizador de “Uma Mente Brilhante” (2001) e do actual “Frost/Nixon” que estreou há uns dias (e que eu ainda não vi). De Fincher, já eu sabia que era um cineasta de corpo inteiro, que sabe filmar, que tem uma capacidade invulgar para criar atmosferas e que consegue, com mestria, conduzir o espectador para onde ele quer. É um dos realizadores maiores da sua geração, como se comprova com um simples olhar pela sua filmografia: duas obras-primas (os já mencionados “Se7en” e “Clube de Combate”) e quatro filmes muito acima da média (“Alien 3 – A Desforra”, “O Jogo”, “Sala de Pânico” e “Zodiac”) compõem uma galeria de obras com uma qualidade constante que está ao alcance de poucos. Mesmo assim, não tinha a certeza absoluta se Fincher seria capaz de filmar esta história no tom certo, sem cair no facilitismo da lágrima fácil ou descarrilar para a histrionia. Além desta questão, já difícil, levantava-se ainda uma outra: até que ponto seria Fincher capaz de dar credibilidade à nada plausível história de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo pela vida fora? Por isso (e porque não perco nenhum filme de David Fincher, devo confessar), fui ver. O cinema tinha pipocas (maldição!), que se foram calando (felizmente!) com o desenrolar da narrativa. Bom sinal! A sala ficou rendida às personagens e aos acontecimentos. Ao relógio do tempo andar para trás, à tristeza das guerras e da perda. À satisfação de um nascer-do-sol redentor. A uma criança-velha de olhos sorridentes que vê o mundo da sua própria perspectiva, que é diferente da de todos os outros. Um ser incomum, em todos os aspectos. Muito próximo de nós, no coração, e que encara a vida como o devíamos todos fazer: com amor e alegria, sabendo que o seu fim é algo natural e impossível de evitar, mesmo que vivamos ao contrário dos outros.
A verdade é que Fincher não se contentou apenas em tornar credível o inconcebível, como o fez na nota certa, sem desafinar nem permitir desafinações à equipa, tal qual um maestro que dirige uma orquestra em perfeita harmonia. Isso vê-se nos actores (portentosas interpretações, sobretudo de Brad Pitt, mas também de Cate Blanchett), na fotografia (sempre com a tonalidade certa) e no argumento (nunca se desorienta) que, somados a uma realização irrepreensível, elevam “O Estranho de Benjamin Button” ao estatuto de obra-prima, a terceira de Fincher em sete filmes e a sua consagração como um dos actuais herdeiros do cinema clássico. David Fincher era já um realizador de corpo inteiro. Agora, é-o de corpo e alma! Porque alma é coisa que não falta aqui… para ver, rever e sentir vezes sem conta.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Clint Eastwood na Cinemateca - Parte III (Fevereiro)


Mais um mês de Clint Eastwood na Cinemateca. O terceiro. E pela terceira vez deixo-vos a programação:


THE BRIDGES OF MADISON COUNTY / As Pontes de Madison County
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1995 – 135 min
Seg. [2] 21h30 Qua. [4] 22h00

ABSOLUTE POWER / Poder Absoluto
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1997 – 121 min
Ter. [3] 21h30 Qui. [5] 22h00

THUNDERBOLT AND LIGHTFOOT / A Última Golpada
de Michael Cimino
Estados Unidos, 1974 – 114 min
Qua. [4] 19h00

MIDNIGHT IN THE GARDEN OF GOOD AND EVIL / Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1997 – 155 min
Sex. [6] 19h00 Ter. [10] 22h00

TRUE CRIME / Um Crime Real
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 1999 – 127 min
Seg. [9] 21h30 Qui. [12] 19h30

ESCAPE FROM ALCATRAZ / Os Fugitivos de Alcatraz
de Don Siegel
Estados Unidos, 1979 – 112 min
Ter. [10] 19h00

SPACE COWBOYS / Space Cowboys
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2000 – 130 min
Qua. [11] 21h30 Ter. [17] 22h00

ANY WHICH WAY YOU CAN / O Regresso do Rebelde
de Buddy Van Horn
Estados Unidos, 1982 – 115 min
Sex. [13] 19h00

BLOOD WORK / Dívida de Sangue
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2002 – 110 min
Seg. [16] 19h00 Qui. [19] 19h30

TIGHTROPE / Um Agente na Corda Bamba
de Richard Tuggle
Estados Unidos, 1984 – 114 min
Ter. [17] 19h00

THE DEAD POOL / Na Lista do Assassino
de Buddy Van Horn
Estados Unidos, 1988 – 91 min
Qua. [18] 19h00

MYSTIC RIVER / Mystic River
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2003 - 137 min
Qua. [18] 21h30 Sex. [20] 22h00

MILLION DOLLAR BABY / Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
de Clint Eastwood
Estados Unidos, 2004 - 132 min
Qui. [19] 21h30 Qua. [25] 19h30

PINK CADILLAC / Cadillac Cor-de-Rosa
de Buddy Van Horn
Estados Unidos, 1989 – 122 min
Sex. [20] 19h00

IN THE LINE OF FIRE / Na Linha de Fogo
de Wolfgang Petersen
Estados Unidos, 1993 - 123 min
Qui. [26] 21h30